Rui Campos Relativamente ao artigo que saiu neste Diário sobre um bar gay, antes demais gostava de dizer, que na realidade, não é bem normal, para não dizer surreal, que o mesmo estabelecimento se localize junto de um convento. Contudo, não deixa de ser interessante que se faça algum debate sobre o assunto, isto porque, e em termos de matéria de politica de turismo, efectivamente, a Madeira negligenciou qualquer tipo de iniciativa, ou investimento, no que diz respeito à chamada economia rosa. Ou seja, antes demais, importa relembrar, que o dinheiro do turista gay, é precisamente igual, ao do turista heterossexual, assim sendo, e partindo desta premissa, acrescentando o facto que, o perfil do turista gay, é caracterizado por ter mais dinheiro, visto ser uma população que tradicionalmente vive mais abastada, viaja muito, gastando mais dinheiro em restaurantes, arte, hotelaria etc, não se compreende efectivamente o facto, de nunca as entidades públicas regionais, nada tenham feito, para atrair este tipo de turismo, isto através de roteiros e politicas gay friendly. Através de uma simples pesquisa na internet regista-se precisamente que a ilha está associada aos denominados destinos não gay friendly e com políticas de turismo quase homofóbicas, visto o próprio Presidente do Governo Regional ter divulgado publicamente o seu preconceito, e considerando que nos dias de hoje, e pela globalização, estas coisas espalham-se rápido, e naturalmente, tomam grandes proporções, nem sempre agradáveis, ainda mais neste tipo de minorias. Por outro lado, e curiosamente, a ilha, e por ser um SPA natural, de uma beleza romântica e elegante, agrada a todo um imaginário gay, sendo um destino até elogiado pelos mesmos, isto pelo que li na net, ainda que, cada vez mais evitado, precisamente pela tal hostilidade, ou pela tal ausência de oferta de hospitalidade, considerada amigável. Ressalve-se que em Canárias, as politicas de turismo são completamente gay friendly e por sinal bem lucrativas, o mesmo já acontece em cidades como Lisboa, Porto etc, com inúmeras iniciativas direccionadas ao turismo gay, para não falar em cidades como Madrid, Amesterdão, etc. Por cá, realmente nada se faz neste sentido, talvez por preconceito, não sei, contudo, acho que quem não deve, não teme, e não vejo porque razão, a Secretaria Regional do Turismo, Câmaras Municipais e entidades privadas, nada fazem para mudar esta má imagem, e porque não criam mecanismos para também atrair este tipo de turismo...