O ano de 2012 começou faz poucos dias e já um conjunto enorme de não economistas, alguns deles dirigentes públicos, têm dado a sua opinião sobre os males da Economia da Nação. Repetindo os grandes chavões vêm-nos relembrar que o problema é não sermos competitivos, não sermos produtivos, não sermos organizados, não termos medidas que promovam o crescimento, termos muita austeridade e um sem número de outras ideias que são sabidas de todos os economistas, só que estes senhores não nos dão soluções de como sair da situação e muitos deles, se olharmos para o que tem sido a sua actuação nas Instituições (a maioria delas públicas ou público-privadas) com repercussão no tecido económico, nunca conseguiu implementar medidas com racionalidade económica que fossem capazes de resolverem os problemas que agora iluminadamente descobriram. Dada a seriedade do momento que atravessamos a opinião só não basta. Ao mesmo tempo o povo português vai descobrindo que a aproximação à média europeia não é algo automático nas mãos dos Governantes como o fizeram acreditar e que o "comboio" que apanhou vai a velocidade mais lenta e este ano parece que vai mesmo em sentido contrário do crescimento. Por isso, pede-se aos empresários e dirigentes públicos que não só consigam o volume de negócios e receitas que lhes permita pagarem atempadamente os salários dos colaboradores mas que criem esquemas de incentivos que levem ao aumento da produtividade. Se tal for feito estou certo que muitos colaboradores, no seu local de trabalho, vão sugerir maneiras de produzir coisas com mais valor ou de produzir o mesmo de forma mais barata. Os empresários e dirigentes públicos devem estudar essas propostas e caso as implementem devem dividir os ganhos adicionais com os trabalhadores que as sugeriram. É tempo dos dirigentes e gestores (incluindo os gestores públicos) de aprenderem a motivar verdadeiramente as suas equipas e com elas aprenderem. Afinal o que falta em Portugal são incentivos correctos!

Pedro Telhado Pereira, Professor catedrático da Universidade da Madeira