“É o Governo Regional que tem pressa em assinar o plano de assistência financeira à Região”.
É uma evidência a frase de Pedro Passos Coelho. É óbvio que quem pede dinheiro, nestas circunstâncias, é porque precisa. E neste caso como de pão para a boca. Não é mentira que quem tem de correr é a Região. Mas o que incomoda nesta frase, mesmo para quem considera que a dívida colossal da Madeira tem um rosto, é o tom.
Porque Pedro Passos Coelho já não é o jovem líder da JSD, nem apenas presidente dos social-democratas, é a pessoa em quem os portugueses confiaram para que os ajude a sair da maior crise de sempre da vida democrática nacional.
E não se espera que o primeiro-ministro perca as estribeiras, nem lhe caia o pé para o chinelo, nem mesmo com Alberto João Jardim. Porque Lisboa ainda não é, que se saiba, o parlamento regional, onde há espectáculo digno de muita companhia circense, quase diariamente.
E das duas uma: Ou o Chefe de Governo caiu na esparrela de Jardim, que entre o bluff, a irresponsabilidade e a chantagem, vai fazendo o que sempre fez, em nome de um alegado interesse da Madeira, que, diz-se, pode ir até a bancarrota da ilha, ou então Pedro Passos Coelho está a mostrar outra faceta. E é caso para dizer: E arrogante era o outro?
Isto depois de uma polémica fase de nomeações partidárias, com cheiro a pagamento de favores, vindo de quem se assumia com garante da transparência política, não é bonito.
Jardim, até ver, marcou pontos num campeonato, onde joga sozinho: O da opinião pública madeirense. O governante insular está em ânsias para responsabilizar outros pelo seu desgoverno. Cada vez que Passos Coelho fizer o jogo de Jardim e lhe responder em público, coisas que deveriam ser respondidas em privado, está-lhe a dar argumentos para a politiquice gasta do costume, mas que vai dando frutos, mesmo podres.
Mas já diz o ditado: Casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. E quando faltar de verdade, creio que não há inimigo externo, nem incontinência verbal que valha ao líder insular. E é bom lembrar que, no meio disto, há pessoas: Portugueses da Madeira.