Aires Pedro* Nos dias 14 e 15 de Janeiro do "ano da graça" de 2012 realizou-se o congresso do PS-M no qual foi prestado pelos seus mui ilustres congressistas o sempre devido culto ao "chefe" ora em exercício de funções. Para aqueles que acompanharam pelas vias possíveis - ainda que com algum esforço visual e auditivo, em face dos discursos ocos e meramente repetitivos do dito "chefe" - este congresso, três conclusões e apenas (e ainda assim, com muita caridade cristã), poderemos extrair do discurso de Vítor Freitas, a saber: a) Vítor Freitas limita-se a fazer meras críticas a AJJ sem quase nunca apresentar medidas concretas, sólidas e plausíveis que contribuam para uma verdadeira inversão da dupla austeridade que é imposta ilegítima e ilegalmente aos madeirenses pela actual coligação governamental; b) Vítor Freitas limita-se (e quase mais não consegue fazer!) a fazer um apelo - qual canto de cisne - aos demais partidos da oposição madeirense, para uma eventual coligação para as próximas autárquicas, visando assim disfarçar um mais que provável mau resultado eleitoral nas próximas eleições que aí se avizinham e para desta forma poder justificar a sua permanência na "liderança" do PS-M após o referido acto eleitoral; c) Vítor Freitas limita-se (uma vez mais!) a anunciar a realização de um "roteiro autonómico", quais "presidências abertas" levadas a cabo por Jacinto Serrão, que mais não foram que simples passeios - quais "campanhas alegres" -, então realizados pela então direcção pelos vários concelhos da Madeira e cujos resultados eleitorais traduziram-se num verdadeiro "flop" político, bem conhecido de todos os madeirenses;. ca) Aliás, com o anunciado "roteiro autonómico", Vítor Freitas mais não consegue fazer que simples mas inadmissível imitação política, atendendo a que pretende apropriar-se de ideias já lançadas publicamente por iniciativas de cidadãos livres, sendo também tal designação mera reprodução da designação cavaquista para as presidências abertas de Mário Soares, mas que em todo o caso, e fazendo fé nas suas palavras, doravante será a nova semântica das "presidências abertas" (à lá Vítor); d) Ao ter colocado em pleno congresso, qual ironia ou simples "acto de fé" - posto que nem aquele era momento adequado para o fazer - à disposição do ora "chefe" o seu lugar de líder do grupo parlamentar do PS-M, Carlos Pereira limita-se pura e simplesmente a demonstrar ao dito "timoneiro" até que ponto tem poder dentro do PS-M e pretende efectivamente consolidá-lo, i.e., o quanto depende Vítor Freitas do mencionado e ora reconfirmado líder do grupo parlamentar e não o inverso, assim ficando devida e politicamente clarificado que é o líder do GP quem assume o papel de protagonista e que por consequência é Vítor Freitas que depende irremediável e inelutavelmente daquele, assim também relegando o presidente do PS-M para um qualquer papel secundário ou de simples figurino político. Enfim, ficamos a aguardar por um próximo congresso do PS-M! Talvez surjam novidades políticas…

* (Advogado e ex- membro da Comissão Nacional de Jurisdição do PS)