Fala-se muito de cortes e pouco de aumento da produtividade. Trata-se de um erro estratégico pois a saída da crise exige uma visão de conjunto que permita analisar as consequências de cada opção a tomar tendo em conta diferentes cenários e não cortes cegos que acabam por promover recessão e quebra de produtividade. Cortem-se as gorduras institucionais. Ou seja, o excesso de burocracia, regulamentos, normas, procedimentos que apenas complicam e "infernizam" a vida de todos aqueles que sabem fazer alguma coisa na vida para além de preencher formulários e estar à espera de respostas e de serem atendidos em qualquer repartição ou serviço. Já se questionou sobre os custos e benefícios de um regulamento? Mesmo antes de ser aplicado já tem custos. Por exemplo, numa Associação, Clube, Escola, Universidade, com 200 funcionários, se cada um demorar 15 minutos a ler um regulamento, tal significa que foram gastos 3000 minutos. Se tiver de preencher um formulário que demore 15 minutos a preencher, se levar 15 minutos a comentar "a estupidez do dito regulamento", se cada um preencher três formulários por ano já vamos em 18000 minutos (300h), ou seja dois meses de trabalho de um funcionário. Quanto custa uma hora de trabalho? Se existirem 10 regulamentos … isto para já não falar nos custos de fiscalizar o cumprimento dos regulamentos, a inibição que os mesmos promovem em quem quer empreender algo (acção de formação, evento, etc.) e não se quer consumir com burocracias … Dirão alguns, a culpa é das directivas de Bruxelas, do Governo, do Tribunal de Contas, da Federação, da Associação, etc. Em parte é verdade, mas também é verdade que o grande perigo muitas vezes vem daquele "chefe" que não sabe que gerir não é dar ordens e fazer regulamentos, mas sim criar condições para que os processos sejam mais céleres… Outros dizem que o regulamento vai trazer mais-valias, então provem-no, quantifiquem, avaliem. Senhores professores, treinadores, dirigentes, presidentes, etc., deixem quem tem vontade, capacidade e competência para trabalhar fazê-lo. Por vezes até podem não fazer por mal, é só falta de visão, mas noutras até parece que não querem que as pessoas tenham tempo para pensar de tanto procedimento que têm de fazer, para tudo e mais alguma coisa. É preciso ter visão de conjunto. Em muitos casos se não prejudicarem já ajudam. Não compliquem. Com tanto empenho em cortar, um conselho: Cortem à vontade na burocracia. Vão ver que "pior não fica", antes pelo contrário.
Helder Lopes, Professor Universitário