Distintos promotores das boas intenções. Escrevo-vos sem um pingo de gratidão. O vosso empenho em tornar o nosso mundo miserável, bem pior do que suspeitávamos, tira-me o sono.

Louvores especiais a… - Pedro Passos Coelho. Por julgar que todos os madeirenses servem como ‘moeda de troika’. Nem todos gastaram mais do que receberam. Nem todos pagaram trabalhos a mais. Nem todos esconderam dívidas. Nem todos escavaram ‘buracos’. Nem todos deram aval à loucura. Nem todos padecem de doença degenerativa, falta de memória e ingratidão. Nem todos têm pressa para correr para o abismo. Respeite as excepções que são muitas e louváveis, caso contrário a Região não teria recebido 50 milhões na última sexta-feira. - Miguel Relvas. Por sugerir a emigração compulsiva, de preferência para fora da Europa. Como quem nos governa só quer a nossa felicidade, mandar a malta para bem longe até é higiénico, pois no velho continente há sempre o risco de encontrarmos os verdadeiros culpados pelo estado a que isto chegou, o que é sempre susceptível de provocar indisposições momentâneas, ajuste de contas e até estragos. - Eduardo Catroga. Pelo generoso contributo para as finanças públicas. E para a transparência. A competitividade nacional cresce na medida em que houver menos evasão fiscal. Estamos-lhe gratos e à sua confissão de que metade do que realmente ganha, e não é pouco, vai para impostos. Bom proveito lhe faça a outra metade. Mas faça por merecê-lo! - Álvaro Santos Pereira. Pelo desejo de internacionalizar pastéis. Pena que se limite aos de Belém, denotando assim ter uma visão limitada, a bem dizer, presidencialista, do País. E os de bacalhau, os de feijão, os de Tentúgal, os de Torres Vedras, os de nata e todos os outros que abundam na política nacional? - Alberto João Jardim. Por ter espatifado sem remorsos em betão e alcatrão o que nos levou à perdição. Só nos últimos 10 anos foram mais mil milhões de euros por ano, a que convém juntar juros, incumprimentos e danos irreparáveis. E em quê?

O povo levou tempo a perceber mas já deve ter concluído que os nossos antepassados tinham toda a razão quando asseguravam que “de boas intenções está o inferno cheio”. Pelo estado a que isto chegou, o diabo também deve estar no desemprego. A haver inferno é aqui e agora, a julgar pela quantidade de demónios à solta.