Tenho assistido - assustado, por um lado, abismado, por outro - ao desenrolar da actividade turística neste últimos meses. Assustado, porque nunca tive percepção de um inverno, em termos gerais, tão mau como aquele por que passamos este ano. Não me lembro de ter visto tão poucos turistas na Madeira, e não tenho noção de que alguma vez tenham gasto tão pouco enquanto cá estão. Abismado, porque todo o discurso oficial vai no sentido de esconder esta realidade. O discurso do "tudo está bem, e vai melhorar" vai progressivamente retirando credibilidade aos responsáveis pelo sector, que são cada vez mais vistos como estando isolados da realidade, protegidos, nos seus gabinetes. A crise é culpada por muitos défices. Faltam-nos turistas? A culpa é da crise. Aqui, e nos seus países. Mas também é nossa culpa. Nunca nos preocupamos em coadunar a oferta com a procura, em dar aos nossos visitantes aquilo que eles procuravam. A arrogância do "nós sabemos o que eles querem" e a necessidade de satisfazer clientelas - nomeadamente a do betão - levaram-nos até onde estamos agora. Vejamos se aqueles que nos levaram a esta situação também nos sabem tirar dela. Porque a situação que se vive este inverno é dramática para muitas empresas, e já há quem esteja a vender a preços claramente abaixo do custo. Não garante a sobrevivência, mas permite adiar as más notícias mais uns tempos. Urge reavaliar a situação, e procurar soluções que satisfaçam as necessidades da ilha e da sua população. Mas não é para amanhã. É para ontem!

Roberto Loja