Portugal e a Madeira estão como estão porque gastam muito e produzem muito pouco. Por isso, as receitas simplistas para a crise - que não as dos doutos especialistas que nos enganam há anos com teorias derrotadas pela realidade - só nos podem mostrar um caminho: produzir mais. Ou alguma coisa, o que já não seria mau. Na Madeira, se nos desenvencilharmos dos detalhes dos dias que nos trouxeram até esta véspera desse maquiavélico 'dead line' de 16 de Janeiro, facilmente percebemos que temos toda uma administração pública inoperacional desde Julho ou Agosto do ano passado. Não produz nada, nem deixa produzir. Primeiro foram as 'férias grandes', depois o ambiente pré-eleitoral e a campanha, os dois meses para formar governo e outros dois suspensos no empréstimo que nunca mais chega. Meio ano com o 'senhor governo' paralisado a olhar o céu, à espera que caia alguma coisa. Sobretudo neste meio ano, ninguém pagou a ninguém, porque o governo também não pagou nada do que devia. Devia haver mecanismos para exigir contas a quem nos delapida os recursos públicos, na mesma medida que os privados chamam à responsabilidade os seus colaboradores. Haveria alguma possibilidade de uma empresa privada estar seis meses sem produzir rigorosamente nada, custando tão caro, sob argumentos tão criativos? Mais: deveria ser possível pedir a demissão a governantes inoperantes, com estratégias comprometedoras para terceiros, pelo menos ao mesmo ritmo com que o presidente do Governo Regional pede a demissão de ministros e de primeiros-ministros... Mas não. Nada disso é sequer admissível. Estamos na Madeira, onde muita gente deixa que lhe 'atirem obras' para os olhos, que não conseguem ver que algumas delas só eram 'urgentes' para quem as construiu ou tratou do processo da construção, e que não conseguem discernir que a maioria delas custou 6 ou 7 vezes mais, com o resultado que está aí à vista. É incrível que um número tão significativo de cidadãos continue a acreditar piamente na bondade de estratégias desenvolvimentistas que constroem piscinas às dúzias, para encerrá-las depois às meias dúzias, só para citar um exemplo. E sem falar em medicamentos e farmácias, que mostram como estão invertidas as prioridades desta terra. A verdade é que a maioria gosta disto. Manda a democracia que paguemos todos pela legitimidade que a maioria dá a uma minoria para nos impingir determinadas loucuras. Fim de ciclo? Cá nada! Se for permitido, apenas pediremos que assinem o empréstimo e comecem a fazer alguma coisa, porque já há pessoas desprotegidas e em sofrimento. E adiem o próximo folhetim criativo para entreter o povo, seja ele qual for, para o mais tarde possível. Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional Depois de resumir os aumentos nos transportes a 'umas coisas que ainda não li' [na entrevista à RTP], o governante validou as reclamações e mandou recuar nos novos tarifários que pretendiam aproveitar-se da crise. Ao menos isso. Bruno Monteiro, Web Designer Aos 33 anos, já (re)desenhou diversos sites de importantes empresas na Região Autónoma, o que lhe abre boas perspectivas num mercado muito dinâmico, que valoriza a criatividade e não permite comodismos. Exemplo a seguir. Guilherme Silva, Deputado do PSD-Madeira Anda a cansar-se numa corrida para ficar com os 'louros' de uma conquista que ainda nem está garantida. E que até já tem outros 'conquistadores' em lista de espera. Bom era conseguir primeiro e só depois pôr-se em bicos de pés... Jardim Ramos, Secretário dos Assuntos Sociais A situação das farmácias é delicada e requer uma intervenção. A opção pela chantagem, por sua livre criatividade ou a mando do 'chefe', revelou-se muito baixa. E sobretudo ineficaz. Pior ainda foi a reacção à própria inércia. Carlos Pereira, Presidente do Marítimo Depois de enfrentar os poderes (os ocultos e os legítimos) de Pinto da Costa, leva agora o seu genro à presidência da Liga de Clubes contra os 'três grandes'. Pode não resultar em nada de concreto, mas esta vitória já ninguém lhe tira.
Meio ano perdido...
Estamos na Madeira, onde muitos deixam que lhes 'atirem obras' para os olhos