No mesmo dia em que o ministro da Economia incitou a uma revolta dos pastéis de nata, de forma a que rivalizem com os donuts nas prateleiras retalhistas Mundo fora, ressuscitaram as teses da independência da Região. “Ou Lisboa toma juízo ou temos de ir para a independência”, gritou o ex-deputado Gabriel Drummond. Penso que no continente ninguém estremeceu, até porque se a Madeira se quer revoltar, tem de pelo menos dar um nome a essa revolta. Já tivemos a da farinha. Porque não a da nata, em homenagem a Álvaro Santos Pereira, o ministro dos pastéis, que até já defendeu em livro (antes de ser Governo) que a Região poderia ser independente. Portanto, há aqui um raro consenso entre Governo da República e Governo Regional que era de aproveitar.
Até sugeria que se atirassem, no dia da independência da Madeira, alguns pastéis de nata ao mar, que é para eles verem que com os madeirenses não se brinca. E seria bem feito que ao largo da Madeira passasse algum visionário estrangeiro, holandês quem sabe, que diz que na Holanda há melhores condições para as empresas, que levasse a nata ao Mundo, já que os portugueses, egocêntricos e nada expansionistas, sempre a quiseram só para si.
Só recuo nessa ideia, porque penso que já que a Madeira vai ser independente não é altura para desperdícios, nem devaneios gastronómicos.
Tenho pena que Alberto João Jardim peça a terceiros que mandem recados e brinquem com a identidade dos portugueses da Madeira. Lamento que o todo corajoso, que quer provocar uma crise política no continente e demitir Passos Coelho não assuma, olhos nos olhos dos madeirenses, essa vontade de ficar ainda mais só do que está. Porque há uma coisa em que tenho de dar razão ao presidente do Governo Regional: Quem escolhe quem governa a Madeira são os madeirenses, não é Lisboa. Para o bem e para o mal. E os madeirenses são assim como os pastéis: Não estão para grandes revoltas. A não ser que se caçoe com coisas sérias, como sugerirem que os madeirenses afinal já não são portugueses. Experimente lá, senhor presidente. Não mande dizer, avance...