O português é, sem dúvida, dos povos que mais reclama. E para começar o ano assim teria que ser. E agora a palavra crise, que domina o nosso dia-a-dia é desculpa para a nossa insatisfação, intolerância mas sobretudo apatia com esta nossa sociedade. Está intrínseco no nosso povo a reivindicação por tudo e por nada. Quando vejo certas publicações semanais, até comentários e grupos no Facebook a dizer mal de tudo e de todos, pergunto-me por que não utilizarmos estes meios para inovarmos, para realmente fazermos a diferença, a diferença que todos nós precisamos e o país precisa. Por vezes acabamos por não nos apercebermos que o país é cada um de nós, que Portugal é feito de portugueses. Por vezes não sei o que é que nos afunda mais, se é a crise, se é a nossa atitude. É bom reclamar sim, e criticar sem dúvida, pois é através desses pequenos passos que o país melhora e avança mas se não passar apenas de críticas, se não sugerirmos e fizermos nada para contrariar o que está mal, por mais que se critique, não se vai resolver nada. Seria bom que todos recordássemos na nossa cultura, o quão grande já foi Portugal, aquilo que desbravamos, demos ao mundo novos mundos outrora. E pronto... depois de termos tudo... deixamos esse "tudo" fugir. Em 1974, no 25 de Abril, reclamávamos por Liberdade. E será que a soubemos realmente usar e dignificar? É verdade que há direitos e direitos, mas se olharmos e vermos bem ao nosso redor, com olhos de ver, vamos nos aperceber que em muito estivemos sempre mal habituados, e agora que é preciso contenção e racionalização "chega a dentro" sem dúvida a cada um de nós. Por isso como diria o brasileiro "bola" para a frente e toca a inovar... sejamos audaciosos e empreendedores. Sejamos os "Vascos" da Gama do século XXI. Estou certo que assim, com a mudança de atitude poderemos resolver muitos daqueles que são os actuais problemas do país, mas que também derivam já de um arrastamento de há vários anos. Mudem-se os tempos mas que se mude igualmente as formas de ver e viver esses mesmos tempos. Mudem-se os tempos…tirem-se a comodidades e adaptem se as mentalidades. Venha lá 2012.

João Francisco Dionísio, Colaborador da AAUMa