É urgente que no tecido formativo da nossa estrutura universitária se comece a pensar seriamente em refundir cursos de utilidade duvidosa e se crie um curso fundamental não só para a região como também para o país. Refiro-me a um verdadeiro curso de Gestão Cultural. Unindo áreas do saber filosófico-ciêntifico é um curso de que precisamos como de pão para a boca. Acabaria com amadorismos desnecessários e consubstanciaria uma política cultural estruturada e consequente. Formar-se-iam profissionais que não apenas reproduzissem modelos, atendendo às exigências do mercado e aos interesses hegemónicos da indústria cultural, mas também capazes de ter iniciativas e desenvolver projectos que valorizassem a diversidade sociocultural. Teríamos assim produtores conscientes da sua importância e dotados de uma nova visão da cultura, valorizando-a no seu potencial transformador, associando-a à educação, e visando construir uma dimensão cultural mais alargada. Três áreas do conhecimento, à partida, seriam fundamentais: Teorias da Arte e da Cultura, Meios de Expressão e Planeamento Cultural. E partindo daqui estruturar-se-ia em volta de conteúdos filosóficos (Arte, Cultura e Pensamento; Ética e Estética; Teoria da Arte e da Cultura: etc.), de gestão (Marketing, Administração e Gestão Cultural; Metodologia; Políticas Culturais; etc.) de expressão (Artes Plásticas; Teatro; Música; Dança; Literatura; Audiovisuais; etc.) e de formação geral (Filosofia; Sociologia; História; Economia). As saídas profissionais são extensas: planeamento e gestão cultural, gestão e produção de espectáculos, curadoria e produção de exposições e festivais, marketing cultural, gestão cultural e operacional de instituições públicas e privadas, património cultural, ensino, etc. Ah… é claro que tudo isto não tem sentido se prevalecer o institucional desprezo pelas indústrias culturais!

Nuno Morna, Actor