A propósito de alguns escritos que li na imprensa regional nestes últimos tempos, volto a confirmar aquela frase que um dia ouvi da boca de um dos mais prestigiados políticos desta Região: "Infelizmente, o madeirense é o maior inimigo do outro madeirense". A verdade é que poucas vezes ouvimos alguém desta linda terra, cujo povo tem fama de ser hospitaleiro (especialmente para os de fora), enaltecer o sucesso de um dos seus conterrâneos - confirma-se o provérbio "Santos da casa não fazem milagres" - bem pelo contrário, o ideal é deitar a baixo, nem que se utilizem as formas mais asquerosas como a falta de verdade. Um dia contaram-me uma pequena história sobre um jardineiro que plantou várias árvores numa avenida. Todos os anos verificava a altura das mesmas e, pacientemente cortava as maiores para que ficassem do tamanho da mais pequena. Realmente esta história pode aplicar-se a muitos dos nossos "amigos" que não perdem a oportunidade de tentar "subir na vida" trepando nas costas dos outros e se possível enterrando-os um pouco mais para que fiquem à sua "altura". O mais importante da nossa missão, nesta curta passagem pela vida terrena, é deixar algo de bom em prol dos outros, mas infelizmente o que se vê, em muitos casos, é uma excessiva preocupação com o seu "umbigo" e em vez de se fazer, perde-se tempo a criticar o que os outros fazem. A propósito lembrei-me de mais um adágio popular: "Só se atiram pedras às árvores que dão fruto". As obras falam por si, e essas não são fáceis de destruir com malvadez. Não irei comentar essas opiniões mal-intencionadas que li, apenas dizer que não devem afetar aqueles que trabalham em prol da comunidade e até podem constituir motivação para fazer mais e melhor, pois é das adversidades que nascem as oportunidades. Da nossa parte continuaremos, de pé, com honra e compromisso tentando seguir a última mensagem de Baden-Powell, fundador do Escutismo Mundial, "o melhor meio para alcançar a felicidade é contribuir para a felicidade dos outros. Procurai deixar o mundo um pouco melhor de que o encontrastes e quando vos chegar a vez de morrer, podeis morrer felizes sentindo que ao menos não desperdiçastes o tempo e fizestes todo o possível por praticar o bem". A todos, desejo o melhor do Mundo.
Carlos Gonçalves, Professor do Ensino Superior