A leitura de alguns estudos nestes últimos tempos tem vindo a reiterar a minha convicção de que, hoje, os produtos turísticos têm que ser muito bem definidos, claros na mensagem e, sobretudo, capazes de não defraudar expectativas. Menciono três dos tais produtos, por me parecerem ter actualidade, embora só disponha de caracteres para falar sobre um deles: - Os cruzeiros, cujos preços se democratizaram e são de mais fácil acesso a uma franja maior da população; - O conceito "all inclusive", mais direccionado a famílias com crianças e a viajantes mais poupados, e; - O turismo de experiências, cuja clientela, mais independente, pretende sobretudo viver os destinos e escolhe-os pelas suas características mais genuínas e naturais. A tentação de ser um grande armazém de produtos turísticos é grande e perfeitamente legítima. Mas interessa perceber se podemos, se devemos, ser tudo! Comecemos por falar dos cruzeiros. Aproveitar o aterro ou prolongar o actual cais significará, para o Funchal, um período de obras no centro da cidade nunca inferior a 2 anos, com as naturais consequências negativas que isso trará para os outros produtos turísticos. Temos, depois, a questão da capacidade de carga, ou seja, aguentará a nossa cidade a entrada de mais não sei quantos milhares de pessoas, em cima das que actualmente já cá vêm por outras vias, à espera de encontrar algo diferente? Gostaria igualmente de perceber se estão devidamente quantificados os ganhos de quantidade, pois uma duplicação de entradas não representará certamente igual efeito na receita. Por último, algo que me parece de extrema importância: - não seria interessante estudar para a Madeira uma solução mais de nicho, para barcos de menor dimensão mas de maior luxo, logo, para clientes com maior poder de compra? Pode ser excesso de conservadorismo mas não sei se não valia mais estar quieto… Resolvendo com urgência o aterro, claro!
André Barreto, Empresário