Desde as últimas eleições que a promoção turística, tal como outras actividades que em Portugal requerem investimento público, está em banho-maria. Pelo menos fala-se pouco e do pouco que se sabe que foi feito, são acções de manutenção, sem grandes rasgos, ou que estavam previstas pelo governo anterior. Por via das mudanças no aparelho governativo, e da crise que obriga a cortes e a recato no exterior, o turismo oficial anda na sombra, por entre as árvores, diria mesmo, para não se expor demasiado, e a aproveitar o bom tempo que algumas levas de turistas evadidos de outras praias e destinos, agora pouco recomendáveis, trouxeram para nestas bandas do Atlântico. Pois é, estamos a ser privilegiados, mas estamos esquecendo algo de essencial, que é projectar as novas campanhas, ‘carregar’ sobre os operadores e os turistas que, nestes dias, chegaram à ponta oeste da Europa e que até gostaram de cá estar. Desde que tomou posse, pouco sabemos da nova secretária de Estado. Deve estar a estudar os dossiês… Não conhecemos ainda o seu gabinete e de essencial poucos contactos tem tido com os parceiros, a não ser duas ou três audiências que nos pareceram mais para marcar uma suposta rotina de agenda e uma posição de ruptura com o passado da gestão socialista que, diga-se a verdade, até teve um desempenho positivo, por muito que não agrade a alguns agentes de viagens, por exemplo. O que sabemos agora é que há negociações atrasadas, em relação aos contratos com operadores e companhias aéreas. E que os planos de mercado não têm sido discutidos ou preparados, fruto também da indefinição que se vive no País, todo derreado nos braços da ‘troika’ e sem poder ser senhor do seu nariz ou dono das suas ambições. Compreendemos as dificuldades que se vivem em Portugal e nas suas Regiões Autónomas, mas a verdade é que o investimento na promoção turística não pode ser parado a pretexto de cortes de custos ou pela escassez de recursos. A realidade, na verdade, é essa, mas temos de entender, e essa mensagem tem de vir de cima, e passada com exactidão e seriedade aos Portugueses, porque temos de investir lá fora para podermos garantir os fluxos de turistas, para podermos ter os hotéis com ocupações razoáveis e garantir emprego aos milhares de compatriotas que vivem desta actividade económica. Não podemos cair na demagogia fácil de que é preciso poupar ainda mais. Mas pior que isso é não pagarmos as despesas das acções que já foram desencadeadas. E no caso particular da Madeira, chegam-nos com frequência notícias de dívidas a operadores turísticos e companhias aéreas, a pretexto das campanhas com que a Região se comprometeu. Ainda há poucas semanas num semanário nacional uma empresa de meios dava notícia de que tinha cancelado o fornecimento de serviços para o Turismo da Madeira. Por outro lado, operadores mostram-se desmotivados com as faltas de pagamento atempado e interrogam-se quanto ao futuro. Afinal, nem estão em causa os mesmos milhares que a Região deve às empresas de construção e empreiteiros, mas são verbas que fazem falta a essas empresas, cuja importância se exprime até pela própria dimensão do negócio. Estamos numa situação muito complicada. E não demora muito que os que agora versam ou botam ideias iluminadas sobre as definições da oferta e sobre outras matérias do sector na Madeira, estejam a perguntar pelos planos de promoção e pelo dinheirinho que o Governo Regional deveria colocar na Associação de Promoção. Porque até agora têm mantido um silêncio comprometedor. Agora temos a paragem para as eleições regionais. O próximo executivo regional que resolva. Mas resolva o quê? Mais do mesmo… e sofre a hotelaria da Madeira e os milhares de madeirenses que vivem do turismo e que mais uma vez se irão queixar que não há transporte aéreo para trazer turistas para o arquipélago. Este doce Verão está a chegar ao fim! Quanto à nova secretária de Estado do Turismo deste País esteve de passagem na Madeira. No meu jornal apareceu a comer espetada, e aos parlamentares do seu partido, em reunião de trabalho, também nesta ilha, disse, do alto da sua cátedra, que Portugal deveria estar em menos eventos internacionais, devido aos custos, mas com mais força. Onde já ouvi falar disto? Mexam-se que faz-se tarde… e de político este impasse tem pouco. É preciso é mais profissionalismo e responsabilidade neste relacionamento com os parceiros que nos garantem o pão para a boca.