
A Madeira vai ser resgatada, ouve-se em todo o lado, na rua, nos jornais e nas televisões. Um resgate que já terá sido pedido e, em princípio, negociado. Só não foram explicados alguns pormenores. Como nos filmes de suspense. Resgate está directamente relacionado com rapto, sequestro e reféns mas, neste caso, os papéis estão baralhados. Só há uma certeza: as vítimas são os madeirenses que vão pagar, com o seu trabalho e muito mais privações, um buraco financeiro colossal. Um descalabro das contas regionais, construído ao longo de anos e que pode ser muito maior do que aquele que surpreendeu a 'troika'.
Vão pagar, mas ainda não sabem como. Já ouviram dizer que vai haver mais medidas de austeridade,mas ainda não sabem quais e com que peso. Não sabem, porque a estratégia eleitoral de quem criou o sequestro obriga a manter toda a gente na ignorância, até ao dia 9 de Outubro.
É uma burla, suportada por um Governo da República que seguiu a mesma estratégia, deixando cair a máscara logo após as eleições e que deveria ser impedida pela única entidade com competências de árbitro: o Presidente da República.
As próximas eleições - tal como não foram as de Junho - não serão completamente justas para os eleitores, se não forem conhecidos os pormenores do tal resgate. Os madeirenses têm de saber se vão deixar de ter o IVA mais baixo do que no resto do País, se vão ficar sem o subsídio nas viagens ou se, como já sugeriu o PSD-Porto, passar a pagar portagens nas vias-rápidas.
O preço do resgate já devia ter sido definido, para as vítimas saberem se vale a pena negociar ou, como nos filmes, tentar 'tratar da saúde' ao raptor.