"Malhado na rede" é a expressão que os pescadores usam quando um peixe fica preso na rede e não consegue sair. E é sabido que quanto mais se mexe para se libertar, pior fica. Assim está Jardim. Sem saber como enfrentar o monstro que criou e atolado numa situação de que é o principal responsável, dispara para todos os lados e insulta quem encontra à mão, sempre na obsessiva procura de um imaginário inimigo externo. Mas já não é possível ignorar o caos financeiro da Madeira, nem disfarçar o desemprego e a pobreza galopantes, nem a crescente emigração jovem que tem que procurar trabalho fora da Região. Estamos confrontados com uma governação que nunca soube traçar objectivos avançados e modernos; que nunca conseguiu perceber que o caminho tinha que estar para além das necessidades básicas e imediatas, e que cada vez mais revela uma flagrante incompetência para procurar alternativas; que sempre se empenhou na construção de obras imensas, desproporcionadas e caríssimas, hoje abandonadas e a degradarem-se por falta de uso, ou fechadas por falta de pessoal. Uma governação que é falsa e tendenciosa (em 2006 as finanças regionais provocaram uma crise política e umas eleições; hoje Jardim, que começou por negar a dívida e que foi depois confrontado com ela, declara não querer falar de finanças regionais senão… depois de Outubro! será porque há mais para saber? será porque há mais dívida escondida?). Estamos, hoje, confrontados com uma governação que todos os dias dá sinais de uma crescente e doentia senilidade. Mas também não é possível deixar de perceber que a situação mudou, que cada vez mais há quem corajosamente sacuda o medo e a dependência, assuma o direito de pensar, assine por baixo da opinião que emite, dê a cara por aquilo em que acredita. E é muito claro que estes sinais são de grande significado político e podem contribuir para consolidar a alternativa que nos falta. Não tenho qualquer dúvida que a grande maioria dos partidos de oposição trabalha em defesa dos seus pontos de vista de forma séria e convicta. Aliás, a leitura das suas propostas é indicativa de que, embora com perspectivas diferentes, há pensamento sobre os problemas e procura de soluções. E para além de muitas outras considerações há, pelo menos, uma coisa que não falta aos adversários do jardinismo: coragem. Ao contrário do partido do poder e do seu chefe que foge sempre ao confronto directo, um a um, com o seu adversário, revelando uma postura de pura cobardia política. Prefere falar sozinho, ou para dentro de casa, numa conversa fiada de que a oposição não tem soluções, de que é incapaz e incompetente. Aplaudido e bajulado pela frente por muitos dos que, pelas costas, se declaram já cansados de tanta arrogância, autoritarismo e cegueira que nega as mais óbvias e elementares evidências. Não disfarço o que penso e por isso não posso deixar de dizer que estas eleições são especialmente enriquecidas pelo projecto novo que Maximiano Martins lidera e que, entre outras qualidades, mostra que se pode fazer política de outro modo. Nas ideias e na concepção do que é necessário e prioritário; na seriedade e solidez de novas opções; no estilo e na linguagem; no sentido de Estado e na responsabilidade. É possível um caminho novo, com rigor e seriedade - sem termos esta permanente sensação de que nos enganam. É necessária transparência na gestão pública - sem a percepção de negócios pouco claros e às escondidas. É imprescindível uma cultura social de intervenção e participação - pondo fim a um clima de medo e instabilidade que mina a vivência em comunidade, tornando-nos temerosos e desconfiados. É urgente uma visão estratégica que projecte para a Madeira um melhor futuro - e não este pântano de falta de ideias e de desnorte total. É minha convicção que Maximiano Martins está preparado para essa governação através de uma alternativa estruturada, organizada, global. Queiramos nós, eleitores, estar preparados para ousar eleger políticas diferentes, com políticos diferentes.
Violante Saramago Matos