Com o cumprimento da obrigação de entrega das relações de património e rendimentos aquando do inicio do desempenho de funções de serviço público, dedicaram-se páginas na imprensa a enumerar as casas, viaturas, contas bancárias, acções e outros títulos propriedade de cada um dos ministros, lamentável exemplo da pertinência das notícias que se produzem. Uma coisa é a transparência que a lei pretendeu salvaguardar através da obrigação declarativa… outra é a devassa da vida privada, expondo os governantes e suas famílias a levianos juízos de valor. Nos dias seguintes, com muito menos pormenor mas inegável maior interesse público, ficou a saber-se que foram descobertas facturas não escrituradas na contabilidade pública (divida não declarada), associadas à Secretaria de Estado do desporto. Não me parece de todo razoável a ocorrência deste tipo de episódios. Recorro a estas duas notas para expressar a minha convicção de que Portugal precisa de firmar um "Pacto de Seriedade" entre todos, sejam políticos, jornalistas, empresários, professores alunos ou cidadãos em geral. Só assim deixaremos de ter deficits descontrolados, contas manipuladas, despesismos e outros dos males que nos ajudaram a chegar à actual situação. Não nos podemos esquecer que "seriedade" deve ser um conceito objectivo, e a admissão de qualquer escala de avaliação de conduta que nos leve a classificações do tipo "extremamente honesto" não passará duma tentativa de ludibriar esse "pacto de seriedade". Sério e honesto ou se é ou não. Durante muito tempo a tributação do capital implicava uma forte probabilidade da sua "fuga" para regimes fiscais mais vantajosos. Fala-se agora na desoneração da tributação do trabalho reforçando a tributação sobre o capital. Só não percebo a que formula se recorrerá para evitar a localização dos rendimentos de capital nos ditos regimes ficais mais favoráveis…
Rui Gomes Coelho, Economista