Francisco Leite Monteiro O leitor J. C. Rodrigues Ferreira não terá entendido o teor e propósito do meu artigo publicado em 26/8, classificando-o de "irreal e incoerente", lendo torto, dir-se-ia, o que foi escrito em linhas direitas e que, com gosto, passo a clarificar. Após ter escrito que a situação da Madeira era "preocupante", as recentes notícias chegadas de Bruxelas, dando conta de anormalidades nas contas públicas da Região e de um "deslize" de 500 milhões de euros, levam a considerar que passou a ser "aterradora", por maioria de razão reforçando a necessidade de medidas extraordinárias, em que o preconizado adiamento das eleições na Madeira, faz ainda mais sentido. Escrevi e mantenho que é aos Madeirenses que compete reclamar medidas com vista a acautelar o futuro da Região, como tal cabendo aos partidos em quem confiam o seu voto, a proposta e implementação de tais medidas. Ora, sucedendo que bastante mais de três quartos do eleitorado confia no PSD/M, PS/M e CDS/PP/M a responsabilidade pelo futuro da Madeira, sem deixar de ouvir a opinião das minorias, compete prioritariamente àqueles 3 partidos. Daí, sem perdas de tempo - porque a situação é muito grave - urge que seja feita a análise e o estudo de medidas, sem excluir uma possível plataforma de entendimento inter-partidária, para que a Madeira sobreviva ao tal lamaçal a que fiz alusão. Todavia, como procurei também deixar claro, no caso dos dois maiores partidos as listas que se apresentam a sufrágio, nomeadamente, os respectivos cabeça de lista, não garantem, à partida, condições para a exequibilidade de um tal desenvolvimento. A este respeito, sem menosprezo pela obra levada a cabo ao longo dos últimos 30 anos, que será sempre lembrada, naquela mesma ordem de ideias, acrescentei ser importante renovar, existindo ao nível dos dois partidos, elementos a quem não faltam as capabilidades necessárias, alguns deles com provas já dadas, mas que, por interesses ou outros expedientes, foram afastados. Em suma, de questiúnculas se trata que importa ultrapassar, para que haja na Madeira o tal "lugar para todos" em que "uns e outros se respeitem reciprocamente".