Luís Freitas O Governo anunciou a redução da emissão da RTP-Madeira para um horário entre as 19h00 às 23h00, alegando ser uma medida de corte de custos. Bem, não sendo contabilista de formação nem de profissão, não consigo no entanto perceber como é que a redução da emissão se traduz em poupanças efectivas. Reduzir a emissão que actualmente tem inicio às 08H00 e termina às 02h00 para 6h, torna o tempo de antena em 33% do corrente. À partida parece uma poupança de 2/3 dos actuais 11,7 milhões de euros de orçamento anual, ou seja de 8 milhões. Mas será mesmo assim? Que eu saiba a RTP-Madeira difunde o seu sinal por feixe hertziano (prestes a ser desligado na sua tecnologia actua, e substituído pela TDT que ocupa menos banda), portanto emitir é ligar um emissor que coloca um sinal eléctrico em várias antenas. Dada a penetração da TV por cabo nos lares madeirenses, o sinal é também injectado tanto na rede da Meo como da Zon Madeira. Neste caso penso que deve ser pouco mais que accionar um botão que envia o sinal dos estúdios da RTP-Madeira através de um cabo ligado à central das operadoras de TV por cabo. Estas por sua vez usam parte do seu sinal para colocar o conteúdo nas TVs dos clientes, sem custos operacionais significativos dada a largura de banda estado da arte. Sendo assim não vejo como reduzir o tempo de envio de sinais se pode traduzir em economias significativas. Entendo que o custo principal virá da produção de conteúdos regionais, telejornais, programas culturais, etc. Isso traduz-se em custos de pessoal, equipamento, estúdios e outras infra estruturas, deslocações, etc. Imaginemos então que se decide cortar na produção local de conteúdos, que não é necessariamente o que está em jogo, porque como vimos a medida anuncia o tempo de emissão de sinal. Porque é que os programas que estão planeados não são emitidos várias vezes ao dia, como o caso do telejornal, e até repetidos alguns dos antigos, à semelhança da RTP Memória. Porque não transmitem outros conteúdos RTP nacional durante o dia? Além de não entender como é que isto se pode traduzir num custo incomportável, já que podem ser transmitidos em modo automático, ou com apenas alguns operadores de estúdio, pergunto se vamos passar os funcionários todos a part-time das 19h às 23h? Não esquecendo que receitas de publicidade também encolheriam, como é evidente. Logo será necessário despedir uma grande parte dos seus funcionários para gerar poupanças financeiras, o que está longe de ser equivalente à redução horária de emissão. É isto que vai acontecer, pergunto? Será um populismo anti-Madeira para escolher um bode expiatório da incapacidade de gestão a nível nacional, ao mesmo tempo que se calam as vozes regionais, e se desviam as atenções para canais privados? Será uma maneira de obrigar a passagem das RTP's regionais para as Regiões Autónomas depois deixando a dúvida da idoneidade em relação a críticas que possam ser divulgadas, à generalidade do país? É para isto que os nossos emigrantes no estrangeiro mandaram remessas de moeda estrangeira? Faço toda a mesma análise em relação à RTP Açores, que também produz conteúdos regionais de qualidade e interesse. Isto nunca aconteceria na França ou mesmo na Espanha, seria considerado um atentado à própria cultura do país.