Adenúncia das instituições internacionais obriga Passos Coelho a deixar cair Jardim. Vítor Gaspar assume as despesas insustentáveis, embora num enervante registo moderado face ao caos, e dá um ultimato à balda insular. Miguel Relvas não faz por menos, mas abre caminho a um canal regional de televisão assumidamente 'laranja', ou seja, a mais um logro. É tudo verdade, também ela oculta em alguns meios, os mesmos que confundem reacção com desmentido, visão empresarial com 'fuga' e até a voz do dono, e só esta, com o exigido pluralismo. Mas será esta a verdade essencial na era do resgate inadiável? Também, embora pouco interesse aos madeirenses que tudo se resuma à estratégia efémera da reles e interesseira política, aos aproveitamentos eleitorais, às convenientes conversas de Estado ao telefone - por manifesta falta de coragem para diálogos frontais - e a um sem número de folhetins que comprovam uma preocupante alienação. O que todos ficaram a saber é que quem nos desgoverna desde o tempo da fartura, proporcionada por incontáveis fundos europeus, mente sobre a coisa pública, esconde dívidas, mascara a verdadeira dimensão dos estragos, desculpa-se com banalidades, faz figuras tristes em trajes menores, ofende quem trabalha e ainda tem a lata de comprar votos com jantares e artistas, engodo onde gasta mais de um milhão de euros, oriundos do vergonhoso 'jackpot' e de favores que o jardinismo estipula em cada resolução. Para os madeirenses passa a ser elementar conviver com os cortes nas despesas, com o inevitável aumento do desemprego, com o agravamento de impostos, com o congelamento de salários, com as perdas de benesses e subsídios. A nova realidade para a qual é preciso acordar impõe sacrifícios a dobrar. A troika vem ditar regras com custos na sobrevivência de cada família, por muito que nos custe, já que os culpados são os intitulados governantes, os do garrote e os do regabofe, que deixam a Madeira falida, com calotes geradores de insolvências e de desemprego, de instabilidade social e do assassinato da esperança. O pior é que na tentativa desesperada de resistir ao naufrágio, os coveiros da Autonomia prometem uma lírica e absurda salvação. E é vê-los apanhados em estonteantes contradições. Incapazes de perceber a tempo e horas que o futuro do CINM exigia firmeza, fazem de conta que a Comissão Europeia não confirmou que nos próximos tempos não haverá renegociações, penalizando-o com abandonos e incertezas; incapazes de gerir um jornal no qual espatifam 4 milhões de euros por ano para enaltecer o regime e branquear a dura realidade, garantem que têm unhas para mandar na RTP-M, sonho antigo embora sem dinheiro para um 'barco, que custa três vezes mais; incapazes de saldar a dívida à banca de muitos mil milhões de euros e que às "pinguinhas" se descobre - a pedido, de modo a suavizar o impacto mediático, mau grado a vitimização -, anunciam novos e tresloucados investimentos; incapazes de ser honestos, nunca assumem o erro. Os madeirenses têm nas mãos o futuro que lhes resta, e que é pouco. Cabe-lhes decidir, sem hipocrisias, sem ignorar avisos, muitos deles vindos do interior do PSD, pois ouviram que a solução é emigrar para onde houver oportunidades e que a crise implica austeridade imediata. Numa terra que se habituou à borla chegou a hora de começar a pagar. Com juros. Esperemos, sem excepções. Carlos César, Presidente dos Açores Autonomista convicto. Exigiu mais horas de emissão da RTP-A e até foi solidário com as dificuldades dos madeirenses. Há ilhéus com sorte. Rui Caetano, Deputado do PS Fez as perguntas necessárias e incómodas que obrigaram o ministro a abrir o jogo escondido sobre a RTP-M. A eficácia é decisiva na política. Miguel Relvas, Ministro Comparar a Região a uma zona desertificada do País prova a desconsideração pela autonomia ultraperiférica. Se foi sincero é grave. Jaime Ramos, Político e Empresário As construtoras agoniam, os trabalhadores fazem greve e onde anda o patrão da ASSICOM? A tratar dos jantares à borla do PSD! Manuel António Correia, Secretário Regional Julga que a defesa dos interesses da Região não se faz com verdade, mas sim com propaganda e jornalismo domesticado. Move-se por pouco.
Incontornável: Austeridade colossal
O PSD não resistiu à insustentável desgovernação de jardim. A troika vem aí. Pagam todos