"Um boletim de voto tem mais força que um tiro de espingarda”
Abraham Lincoln
Afinal, Alberto João Jardim também já perdeu. Nas últimas eleições Legislativas Regionais na Madeira, em 2007, a abstenção foi de 39,25%, isto é, dos 231.606 eleitores inscritos votaram 140.697 e não foram votar 90.909. Contas feitas, o partido mais votado, PSD, contou com 90.377 votos, significando que foi vencido pela abstenção, isto é, por 532 abstencionistas. Apesar de ter vencido as eleições por 64,24%, uma percentagem muito elevada, a verdade é que houve quem o superasse. Os abstencionistas ganharam as eleições e ninguém sabe o que pensam.
Mais de 90 mil madeirenses deixaram no passado que outros escolhessem por eles. Por preguiça, desinteresse, rebeldia, por comodismo, mas acima de tudo por irresponsabilidade. E mais do que isso: Por desrespeito por uma das conquistas maiores da liberdade.
A 9 de Outubro, os cidadãos têm uma responsabilidade acrescida, da qual não se podem demitir. Apesar de se saber que a partir daí será o pagar de factura, o apresentar de contas por uma dívida superior a 6 mil milhões, é preciso escolher quem vai ajudar os madeirenses a pagar o despesismo feito por quem eles foram escolhendo. Não é igual. A força parlamentar que sair destes escrutínio tem de estar legitimada para negociar, mas mais do que isso para recuperar a credibilidade da Região que está na lama.
Se as pessoas acreditam que a solução é a mesma de sempre, devem expressá-lo sem pudores e acatar as consequências.
Se acham que é altura de ter outra força política a comandar os destinos na Região, não podem apenas expressá-lo nos cafés. É preciso votar, decidir. E aceitar também o que advier daí.
Os madeirenses não podem ficar reféns do que se exige de fora em termos de comportamento eleitoral, mas também não podem simplesmente encolher os braços e fingir que não é com eles. Fechar os olhos não fará com seja menos difícil o futuro negro que se perspectiva.
Já não sou eleitora na Região, mas se fosse sei bem porque não ficaria em casa a 9 de Outubro.