Maria Lopes Imagine que recebe a notícia que afinal é sócio da empresa onde sempre trabalhou, administrada há 48 anos pelo mesmo gestor. A firma é tão grande que tem de arranjar quem o represente e então escolhe aquele que lhe parece mais empreendedor, sério e competente. Durante anos, o tal gestor até apresenta resultados e faz a empresa crescer. Mas um dia, 33 anos depois, as finanças caem-lhe em cima e dizem-lhe que afinal a empresa não paga o que deve e está à beira da falência. O gestor diz que a culpa não é dele, porque lhe emprestaram X quando ele queria Y. Você constata que a empresa está atolada em dívidas, porque ele gastou acima do capital que tinha, que teve despesas inimagináveis com assessores, regalias e despesas de representação, que investiu mal o dinheiro que pediu emprestado, que se julga dono da empresa e que nunca lhe prestou contas do que andava a fazer. Contudo, você, que não vê benefícios há muitos anos, vai ter que se responsabilizar pela dívida contraída e pagá-la, porque na realidade a empresa é sua. O gestor pede-lhe ajuda, por amor de Deus, não me tire daqui! O que vai fazer? Se adorava ouvir as "Conversas em Família" antes e continua maravilhado com os 33 anos de discursos inflamados deste gestor, se faz parte dos 25% dos sócios que demonstraram confiança nesta gestão nas reuniões da empresa, deixe-o lá estar! Deus no céu e ele na Terra! Se é daqueles 50% que nunca foram às reuniões, porque ainda não perceberam que são sócios, continue assim, que os gestores até agradecem! Não me importo, Deus não fecha uma porta sem abrir uma janela! Agora se a firma é SUA, aja como tal! Nenhum patrão mantém um empregado, só porque está agradecido com os anos em que ele apresentou bom serviço. Aliás, ponha em prática a lei laboral que se avizinha e despeça-o por falta de produtividade nos últimos anos! Ou leve-o a tribunal por gestão danosa! Ou ponha-o na reforma! Ou mande-o a uma Junta médica que prove incapacidade! Ou vá às reuniões e SUBSTITUA-O E A TODO O CORPO GERENTE! Tem a faca e o queijo na mão: a empresa está falida, feche-a e abra outra com nova administração! Não deixe que continuem a mexer no seu queijo! Ser cidadão é nâo ser súbdito!