As transformações e mudanças verificadas nos últimos anos em diversos sectores de actividade, nomeadamente a económica, por via das tecnologias de informação, têm levado a constantes adaptações das formas de trabalho e das aptidões profissionais, para que possamos ter um melhor rendimento e sucesso. A intervenção das redes sociais no turismo e as vendas em rede são hoje fenómenos aos quais um destino turístico não pode estar alheio, mesmo que defenda para seu consumo uma clientela que, eventualmente, pode não estar muito virada para esses segmentos de busca e de oferta. Chegou-me às mãos – diria melhor que me chegou ao computador através do correio electrónico – um documento com os resultados de um inquérito realizado pelo site de férias ‘Zoover’, que apura e resume as respostas de sete mil utilizadores, sobre a maneira como seleccionam e reservam as suas férias. Os números são cada vez mais surpreendentes quanto à influência da Internet nas suas opções, com um grande destaque para os países considerados mais desenvolvidos. No ‘ranking’ europeu temos os suecos (89%), finlandeses (89%), dinamarqueses (77%), britânicos (69%) e suíços (67%). Com percentagens ainda acima dos 50% temos os turistas que vivem na Noruega, Holanda, França e Bélgica. Portugal está num modesto 15º lugar, mostrando que cerca de 42% dos viajantes compram o seu pacote turístico através da Internet. Ali estão, mais acima ou mais abaixo, os nossos mercados principais. Dizer-se que um turista compra através da Internet não quer dizer que opte por fazer compras directas a hotéis, companhias aéreas e outras empresas de serviços, como as que fornecem excursões, espectáculos ou aluguer de automóveis sem condutor. É preciso não esquecer que a personalização do pacote pode ser confiável também através das agências de viagens ‘on line’, hoje com padrões de segurança confiáveis, nomeadamente no aspecto dos pagamentos e da informação fornecida. Há muitas agências e operadores turísticos que a par das suas agências físicas, têm sites onde mostram toda a sua oferta e permitem compras confiáveis através da Internet. Há, cada vez mais gente nos canais de viagens, nas redes sociais que aconselham e mostram, com referências idóneas, as coisas boas e más de cada destino, cabendo a cada um colocar em rede os seus atributos e mostrar, aproximadamente, o que o diferencia e o distingue neste mundo global de compra e venda. A informação é hoje muito importante. Verdadeira e concreta, sem subterfúgios ou mentiras que podem desgraçar definitivamente um empreendimento ou um destino. Os parceiros da actividade turística da Madeira, nomeadamente os responsáveis pela sua promoção, quer na parte pública, quer na parte privada, encontram neste trabalho da ‘Zoover’ e noutros que, naturalmente, chegam às mãos periodicamente, um bom instrumento de reflexão e de trabalho. Porque as verbas são escassas e se exige um conhecimento e uma eficácia maiores a quem tem essa responsabilidade, as campanhas devem ser direccionadas com foco no cliente e consumidor, montadas com profissionalismo, usando ferramentas adequadas e propositadamente focadas em segmentos de mercado que pretendemos atingir e impressionar. A promoção turística já não se restringe à ida às feiras nem às visitas aos operadores, se bem que tudo ainda seja válido e razoável em campanhas que se desenvolvam em mercados menos dados aos avanços tecnológicos. As percentagens agora reveladas fazem-nos crer que há avanços muito rápidos, que não podemos ignorar. Por isso, devem nos forçar a novas estratégias de marketing e de vendas que, esperamos, os parceiros do negócio do turismo estejam atentos. Mesmo que este Verão tenha sido bom e que o Inverno, afinal, esteja a conformar-se melhor do que o esperado há três meses, temos de nos esforçar, acompanhar a evolução e não confiar demasiado nos azares que acontecem aos outros e que, nalgumas vezes, até nos têm beneficiado. Cada vez mais os clientes chegam pelo ar. Reservam e compram na nuvem e precisam de avião para cá chegar. Dois vectores importantes e fundamentais de uma estratégia que a Madeira não deve, nem pode, descurar.