Para que tudo corra bem na vida, dá sempre jeito ter um pouco de sorte. Que não é senão mais do que a ausência do azar. Todos os anos, impreterível e lamentávelmente, por volta do final do Verão no hemisfério norte, confrontamo-nos com a temível praga dos furacões, com intensa destruição á passagem, nas Caraíbas, nas costas dos Estados Unidos, também na Ásia, e percebemos que algumas dessas zonas do planeta, estão marcadas para passar por estes "azares" que a Mãe Natureza lhes prega. Como se duma sina se tratasse! Ao contrário, a ilha do Porto Santo, não tem azares que se conheça, e assim á primeira, o que mais sobressai á vista, é o facto de possuir uma praia de 9000 metros de extensão, com areia fina e dourada, limpa e muito bem tratada. Mas, apesar desta observação empírica, simplista e muito superficial, a nossa pequena ilha não tem uma situação económica favorável, não tem um desenvolvimento assegurado e principalmente, sustentado. Talvez porque é tradicionalmente um destino de férias dos vizinhos madeirenses - daqueles que vivem na ilha da Madeira, e de outros que vivem noutros locais - também destino de alguns continentais, que a vão subreptíciamente descobrindo, e assim sendo, limita sobremaneira a sua ocupação turística no verão, que é também tradicionalmente a época mais procurada das quatro estações do ano. Estamos deste modo, perante uma ilha atlântica, que se dedicou básicamente á exploração turística, de momento ao turismo interno, para a utilização exclusiva e excelente das suas capacidades balneares. E pouco mais! Talvez, mais recentemente avançou para o mercado italiano, mas com pouca consistência e também alguns ingleses por lá aparecem em voos fretados de baixo custo, e digamos que, em boa verdade, turismo organizado e programado na ilha do Porto Santo, ainda estamos num início de actividade. E ainda, a actual conjuntura económica europeia - que não só portuguesa - provoca menos procura, induzindo algum retrocesso comercial dentro da ilha, agravando ainda mais o seu normal e desejado desenvolvimento. Mas, não ficamos por aqui! Porque achamos, em nosso entender, que esta ilha, tem ainda alguma sorte disponível: porque pode ser um espaço para a prática desportiva durante o ano inteiro, para as modalidades e para os níveis físicos de rendimento que se quiser programar e habilitar. Pode receber equipas de todo o lado da Europa, de outros continentes até, onde podem preparar épocas desportivas, fazer estágios nos intervalos dos campeonatos, planear participações em competições mundiais, em Jogos Olímpicos - afinal um puro e simples Centro de Estágio. Alguns dirão imediatamente: isso não é novidade nenhuma, não é a primeira vez que se fala no assunto! Então porque não se avançou para esta hipótese? Quando é possível conciliar um desenvolvimento turístico ordenado, e um destino de prática desportiva de rendimento, com amplo aproveitamento de sinergias, para o mesmo objectivo comum! Para o trabalho desportivo não importa o sol, pouco importa o vento - não se pretende registar marcas num estágio, onde o factor vento pode ter interferências de homologação - importa a proximidade, o clima temperado, apoio técnico e sanitário, e uma simplicidade logística. Podem faltar campos, ginásios, pistas de atletismo, pavilhões, salas de conferências, cantinas, instalações hoteleiras adaptadas ás circunstâncias. Mas, a ilha do Porto Santo, já possui algumas instalações que servem para o efeito e tem serviços que apoiaríam uma estrutura desta natureza. Depois pergunto: será tudo isto um investimento muito caro? Pensando que são dispensáveis luxos, mas é necessário qualidade, as contas serão possíveis e justificáveis. E ainda se pode contar com um excelente campo de golfe, para jogar, gozar ou relaxar - dependendo do espírito...do utilizador! O Porto Santo tem a sorte de poder continuar a ser uma ilha, de intenção turística, continuar a ser a preferida dos madeirenses de cá e de lá para as suas hiperrelaxantes férias de verão e ao mesmo tempo ser um Centro de Alto Rendimento a 180 minutos do meio da Europa, garantindo a sua sobrevivência, quem sabe, senão muito mais do que isso. E acaba-se com o "problema" da sazonalidade, que não sei mesmo se não é uma treta, ... e com os "problemas" do calor, do vento e do frio na ilha dourada, que afinal não são mais do que sensações de maior ou menor sensibilidade ás variâncias climatéricas na atmosfera! Como também existem pessoas que "detestam" o ar condicionado e preferem suportar o nosso bafo tropical! Vai da "origem" da pessoa, porque,... cada um é como cada qual! Os dados estão lançados, mesmo não sendo novidade nenhuma. Porto Santo, ilha turística no verão e no resto do tempo ... que tenha uma "grande sorte"!

José Manuel Ramos