"Venho da terra assombrada, do ventre da minha mãe; não pretendo roubar nada nem fazer mal a ninguém. Só quero o que me é devido por me trazerem aqui, que eu nem sequer fui ouvido no acto de que nasci. Trago boca para comer e olhos para desejar. Com licença, quero passar, tenho pressa de viver...." António Gedeão escrevia estas palavras em 1958 num poema sentido e que reflete na essência as ansiedades inerentes á condição de... humano. Vivemos tempos difíceis que eventualmente se tornarão ainda mais. Vivemos tempos em que a retórica linguística ininteligível prima nos canais de televisão e rádio, nos jornais e nas revistas. Vivemos tempos em que a razão lógica é desafiada pelas decisões ilógicas. Vivemos tempos em que a demagogia e a ocultação de verdadeiras intenções são práticas comuns aceitáveis. Vivemos tempos em que as pessoas não passam de números para estatística e justificativas para cortes orçamentais. Vivemos tempos em que o medo de mudar de mentalidade continua. Mas vivemos tempos também onde temos que olhar para os nossos filhos, para as nossas famílias, para os nossos amigos e dizer... BASTA! Basta de empurrar para debaixo do tapete todo o lixo que acumulámos ao longo de anos! Basta dos buracos, dos BPN´s, dos TGV´s, dos estádios de futebol e outros mais e voltemos á nossa condição de... humanos, onde com passos certos e firmes construamos um futuro sustentado e sustentável assente no ser e não no ter.
Carlos Pestana, Chefe dos Serviços Antena 1 e Antena 3 Madeira