No tempo de Oliveira Salazar a riqueza de um país media-se, grosso modo, pela quantidade de barras de ouro que possuíamos no Banco de Portugal. Hoje sabemos bem que não é assim. É certo que no capítulo das finanças públicas é vergonhoso que, no caso da Madeira, tenhamos vivido acima das possibilidades, não reportando dívidas mas, pior, gastando os recursos do Estado (o dinheiro dos contribuintes) em obras que em muitos casos alimentaram interesses sectoriais, mas foram completamente desadequadas às nossas necessidades. Mas não é apenas a nossa dívida que nos torna pobres. O que nos torna pobres é a nossa aparente submissão à onda liberal europeia em que vimos navegando desde 1986, doze anos depois de termos saído da última ditadura da Europa Ocidental. Termos sido um povo bem comportadinho, de brandos costumes e fraco horizonte não nos tem levado longe. E a "culpa" não é apenas dos governantes ou dos decisores. A culpa é nossa. Rendemo-nos ao que vem de fora, vivemos de "franchisings", não investimos em "marca própria" em tantos sectores produtivos e não conseguimos hoje ser fortes naquilo que torna um país verdadeiramente rico: uma população instruída, com sentido crítico e elevado nível de auto exigência, que consiga produzir bens e serviços valorizados em todo o mundo; numa palavra, um país exportador. Optámos por importar bens, serviços e toda uma cultura que não vale mais do que a que conseguiríamos produzir, pois capacidade não nos falta. Os fundos de resgate ou os apoios financeiros podem ajudar a estabilizar as finanças públicas mas não resolvem, de todo, o problema de fundo. E a mudança começa em cada um de nós: na nossa casa, na nossa empresa, na nossa cidadania, na nossa pequena parcela de Portugal.
Luís Sena Lino, Consultor de Marketing