Numa altura de profunda crise, no país e na região, numa altura em que o nome da Madeira nunca andou tanto na ribalta como agora (aliás, a Madeira só é noticia nacional quando consubstanciada em tragédias, como foi o 20 de Fevereiro de 2010 e como são agora as famigeradas 'contas ocultas'), sabe bem ter uma equipa (agora é o Marítimo, como já foi o Nacional noutras alturas) a fazer sensação no futebol português. Isto é, entre o vilipêndio continental e a incontinência insular, é como uma panaceia para curar os nossos males. E, perdoem-me os outros, mas sendo o Marítimo quem mais adeptos tem na Ilha, maior será esse elixir deixado esvoaçar na esperança e na resistência que, ainda, cada madeirense possa deter. Ainda por cima, a reboque de toda uma situação que não foi criada pelos madeirenses, mesmo que no nome deles, o momento é aproveitado para, sem qualquer sentido de rigor e isenção, se colocar em equação a presença das equipas madeirenses no panorama do futebol profissional em Portugal. Sem qualquer tipo de referência ao (bom) momento do Marítimo nos programas desportivos que proliferam nas televisões portuguesas, Carlos Daniel da RTPI, por exemplo, ao falar das competitividade da nossa Liga, falava dos três grandes mais o Braga, do Vitória de Guimarães e das equipas insulares, "particularmente privilegiadas pelo erário público", considerava, e, agora Rui Santos, no seu programa na SIC Notícias, 'Tempo Extra', dedicou algum tempo a quanto o futebol na Madeira ajudou a construir o tal buraco financeiro na região. E, considerou mesmo que, em termos de ética desportiva/competitiva, as equipas sediadas no rectângulo continental são discriminadas em relação às da Madeira. Daí que - e todos sabem as dificuldades financeiras que Marítimo e Nacional atravessam no momento - as nossas equipas sejam, também elas, no meio de tanta convulsão, um alvo a abater. Poder-se-á (dever-se-á, aliás...) equacionar a política desportiva da região, poder-se-á chegar à conclusão de que algo terá de mudar, mas as equipas madeirenses competem no futebol profissional no quadro legal criado para o efeito. E, não é por acaso que o Santa Clara, também ele apoiado pelo governo regional dos Açores, ande há tanto tempo apenas pela II Liga. Por isso mesmo, sabe melhor ver o Marítimo lá em cima, para mais, num ano em que não era suposto tal. Mas perspectivam-se tempos difíceis, é só esperar!

Emanuel Rosa, Repórter