
Sempre que há eleições, surgem as mesmas frases, vindas dos mesmos oradores, a protestar contra os cartazes, os candidatos, tudo e mais alguma coisa que lhes faça lembrar o seu dever cívico de votar. Que lembre que a sua irresponsabilidade de abstencionistas é um dos maiores problemas da sua terra.
Sinceramente, penso exactamente o contrário: há cartazes a menos. Quando uma Região como a nossa se prepara para aquelas que devem ser as eleições mais importantes das últimas décadas, o apelo ao voto deve ser o mais abrangente possível. E as campanhas fazem-se com cartazes, murais, panfletos, papelinhos espalhados por todo o lado e até com os comícios dos Galáxia. Não se fazem, certamente, com debates cinzentos que obrigam a um zapping imediato. Os eleitores têm de ser lembrados das suas responsabilidades, sobretudo os abstencionistas irresponsáveis que se incomodam com um cartaz à porta de casa.
É por tudo isso que nunca compreendi o desdém com que muitos tratam e ridcularizam os que, ao contrário deles, participam, fazem campanha, em todos os partidos. Independentemente das ideias, projectos e cores partidárias, respeito muito mais quem vai para a rua distribuir camisolas, porta-chaves e folhetos, do que aqueles que ficam protegidos no conforto do sofá e, quando o filme ou a série são menos interessantes, mandam umas ‘bocas’ nas redes sociais. Principalmente para dizer que não vão votar, porque ‘ganha sempre o mesmo’. Só por essa decisão já estão a votar no mesmo.