Se não quiser ser profissional, nem correr riscos, então não mande SMS a certo tipo de gente que, uma vez sem munições, é capaz de transformar em bomba a mais inocente ou a mais elementar das mensagens. Cautela! Quando espera que lhe respondam ao alerta dado, a essa hora, vítimas do 'Síndrome de Mostrar Serviço', já exibem o telemóvel a terceiros, entres os quais alguém com apetência para bufo e assumido embaixador da quinta que tudo vigia junto das bilhardices que povoam os serviços públicos.
O 'Short Message Service' tornou-se irremediavelmente na arma predilecta do regime que convive mal com a informação frontal e rigorosa. Até aqui nada de novo, pois já se sabia que era através do serviço de mensagens curtas que a Madeira era desgovernada. A tendência para ocultar dívidas e outros dados obrigou alguns núcleos do poder, com maior versatilidade nos dedos, a recorrer a um expediente menos vistoso, alegadamente imune às temidas escutas e eficaz até ver. O que não se sabia era que o SMS está para determinados indivíduos sem escrúpulos como o anzol está para o pescador. Havia uma ou outra prova esporádica que uma mensagem, apesar de séria e pessoal, uma vez no telemóvel de gente perversa, sem princípios e com obsessões doentias, chegou a ser usada para a obtenção de dividendos políticos. Há até quem se gabe de guardar no cofre um telemóvel só com as mensagens que nunca serão apagadas.
Na semana passada, com direito a 'notícia' de jornal, ficaram confirmadas as suspeitas de utilização abusiva de mensagens, com base numa, por mim enviada ao Director do Serviço de Urgências do Hospital Dr. Nélio Mendonça. Havendo alertas de que Alberto João Jardim teria sido hospitalizado domingo passado, tentei saber toda a verdade, que a sê-lo era de relevante interesse público. O 'JM' deu conta do facto e, de uma forma inqualificável, lançou insinuações. Mais não fez do que comprometer despudoradamente o Dr. Pedro Ramos, a quem, de facto, enviei uma mensagem que, diga-se, continua à espera de resposta. Não houve notícia. Felizmente. Porque Jardim afinal está de boa saúde, o que é bom saber. Mas acima de tudo porque alguém digno da nossa confiança desfez dúvidas. Ao jornalista pede-se que cruze informações de forma a apurar a verdade dos factos. Cumpri com os princípios elementares do código deontológico e julgo que me dirigi à pessoa certa. Ou talvez não.
Já se sabia que o sistema tinha vulnerabilidades de segurança. Quando um utilizador está em roaming, o conteúdo SMS passa através de diversas redes, incluindo a Internet, sendo exposto a vários ataques. Também é público que a troca de SMS pode ter efeitos nocivos. Por exemplo, entre estudantes leva a uma descida nas notas, como conclui o estudo 'A Decade of Distractions: How Multitasking Affects Student Outcomes'. Também se sabe que as mensagens de texto servem para a socialização ou ainda para a ocupação das mãos quando estamos rodeados de seres desinteressantes. E até servem para saber o número de eleitor e onde vai votar. Já agora tome nota que pode ser útil a 9 de Outubro: envie SMS para o 3838, escrevendo a mensagem RE nº de Identificação civil sem check data de nascimento AAAAMMDD. Exemplo: RE 12344880 19891007.
O que ficou claro na semana que passou é que os SMS da Madeira desonesta não são as mensagens em si mesmas, mas sim todos aqueles que, 'Sedentos por Mostrar Serviço', as manipulam, mostram a terceiros ou simplesmente tiram delas proveito próprio. E esta lógica faz escola. Pudera. Alguns julgam que assim se combate a infoexclusão.