Na última Conferência de Turismo promovida pela Delegação da Ordem dos Economistas - um fórum de excelência excepcional - foi apresentado um estudo comparativo do nosso investimento em promoção com outras regiões turísticas. No debate que se seguiu, ficou no ar a ideia que a nossa dotação para promoção é, em termos comparativos, expressiva e, consequentemente, suficiente para garantir a competitividade da Madeira. Esta é, na minha opinião, uma daquelas ideias que padecem de falta de sustentação e apenas servem de conforto ao status quo, conduzindo à falta de exigência em matéria de promoção. A avaliação e análise comparativa das dotações orçamentais de destinos concorrentes têm de assentar nos MERCADOS onde são aplicadas e não na origem - NOS DESTINOS - evitando-se assim análises enviesadas pelo peso relativo das camas de cada destino. Ou seja, se tivermos, em termos relativos, um orçamento alinhado com o das Canárias, não conseguiremos a mesma visibilidade pelo simples facto de, em termos absolutos, o nosso investimento ser significativamente inferior. Resumindo, na promoção externa o que conta para a visibilidade competitiva são os valores absolutos. Naturalmente, também a criatividade, a selecção de meios e as opções com coerência estratégica, entre outros factores, poderão influenciar significativamente os resultados, mas todos estes serão mais ou menos potenciados em função dos recursos financeiros alocados. Como determinar então, a dotação mais ajustada às necessidades do destino, num equilíbrio entre os nossos recursos financeiros, objectivos de notoriedade e maximização do retorno do investimento? Impõem-se alguns princípios: a) A dotação para a promoção tem de resultar de um COMPROMISSO ESTRATÉGICO COM A CAPACIDADE INSTALADA, estabelecendo-se um valor mínimo por cama (mínimo de 500€ em contextos normais e de 1.000€ sempre que seja necessário estimular de forma agressiva a procura); b) CORRELAÇÃO COM O PESO ECONÓMICO do turismo na economia regional; c) BENCHMARK da nossa dotação orçamental - nos mercados estratégicos e prioritários - com as dotações dos destinos concorrentes mais directos; d) COERÊNCIA COM O NÚMERO DE MERCADOS objecto de promoção e respectiva dimensão populacional, estabelecendo-se um VALOR MÍNIMO POR MERCADO que deverá andar num intervalo entre os 300 e os 500 mil euros (não podemos continuar a investir em determinados mercados valores de 10, 30 ou mesmo 50 mil euros. São opções que não geram nem notoriedade, nem procura sustentadas. É atirar dinheiro ao lixo! Impõe-se um mínimo de dotação por mercado que garanta a consistência do investimento). Quanto ao peso do turismo no nosso PIB, acima referido no ponto b), é importante lembrar que realidades distintas requerem também respostas distintas. Se o Turismo representa 25% do nosso PIB, o nosso esforço na promoção, deste sector de "bens transaccionáveis", tem de ser diferente de um país ou região em que o turismo só represente 5% do PIB. Se tem mais peso na nossa economia comparativamente a outros destinos, mais investimento reprodutivo temos de alocar à promoção, em particular, tendo em atenção que é um investimento de retorno rápido. Mais, se expurgarmos o efeito efémero e traiçoeiro das Obras Públicas e Construção Civil na nossa economia, o turismo passará, inevitavelmente, a representar um peso superior a 40 ou 50% do nosso PIB. Não é um cenário pouco provável. É o que vai acontecer! A nossa autonomia, que todos tanto valorizamos, claudicou pelo lado da nossa efectiva total dependência financeira! Já só existe na dimensão da fantasia das palavras, sem sustentação no terreno. Efectivamente, só a poderemos reconquistar com menos dependência financeira, objectivo que, obrigatoriamente, passará por mais investimento num dos poucos sectores reprodutivos na região - O Turismo. Concluindo, os critérios da racionalidade das nossas opções para a dotação orçamental da promoção não podem ser ditados unicamente pelo histórico passado, por percentagens sobre as receitas e/ou por outros critérios com sentido político, mas esvaziadas de sentido económico, que não levam em conta os nossos concorrentes e a capacidade de ganharmos a notoriedade necessária a fomentar procura consistente nos mercados. Os desafios económicos de dimensão assustadora que vivemos na actualidade na região impõem-nos reflectir sobre esta e outras matérias com uma abertura e uma exigência do mesmo nível e sem demagogias populistas antagónicas da promoção da Madeira.
João Welsh - Delegado Regional da APAVT