Apetecia-nos falar de: Dívida colossal - dos governos central e regionais; Contabilidade pública - empresas e singulares têm de pagar ao Estado, governos podem ficar a dever a fornecedores e contribuintes, uns são multados, outros alegam defesa política; Buracos e crateras financeiros - ora se negam, ora se admitem, uns investigam-se, outros admitem-se, e não há justiça para nenhuns; Credores - quantas empresa e particulares, associações e clubes, e outros, são credores do Estado? Desafiamos os três governos portugueses, a publicarem em listas valorizadas, as suas dívidas, incluindo as dos organismos públicos e público-privados. Desafiamos os dirigentes desportivos a exigirem do IDRAM a publicação da dívida a associações e clubes desportivos, com data dos contratos-programa, valor e saldo, a exemplo do Governo regional (V. págs. 11, 12 e 13, 24 setembro 2011, Jornal da Madeira). E, porque esta coluna é para falar, desportivamente, entremos no seu durame: na pretérita sexta-feira, Porto e Benfica ofereceram um bonito espetáculo de bola, na relva do Dragão. Ao longo da semana, dirigentes e treinadores contiveram-se nas tradicionais declarações incendiárias que antecedem um derby, pelo que chegámos a pensar, terem assinado um pacto de não-beligerância verbal. Aplauda-se esse comportamento civilizado, em prol do espetáculo desportivo, sem esquecer os públicos adeptos, trajados de azul ou vermelho. Dignificaram-se, assim como respeitaram a peça futebolística e os seus atores. Ah! Mas também há outros incendiários, tão mais responsáveis: anúncios das televisões e rádios, comentadores, jornalistas, colunistas e relatores desportivos, a usarem terminologia beliciosa, em vez de pacífica.Na política ou no desporto, já não interessam os valores e a ética: só se joga para resultados eleitorais, traduzidos em votos, ou par vitórias, no campo ou na secretaria; uns e outros, jogam para adquirir poder!
Urbelino Ferreira - Dirigente Desportivo