É uma historia velha: afinal já em 1984 Alberto João Jardim quebrou o défice previsto e chegou ao fim do ano sem dinheiro para continuar a pagar salários. Ernâni Lopes quis impor em conselho de ministros a necessidade de conter a dívida. Jardim saiu da reunião, presidida por Mário Soares, autorizado a contrair novo empréstimo. Depois disso, houve ainda o Protocolo de Reequilíbrio Financeiro de Cadilhe e a Lei de Finanças Regionais de Sousa Franco. Sempre que Jardim bateu na parede e precisou que o continente o tirasse de apertos, o continente fê-lo. Os madeirenses não se podem queixar de falta de solidariedade, como se viu de resto no caso das cheias. Porque os continentais, felizmente, nunca confundiram a Madeira com Jardim. A partir de 9 de Outubro, se não houver castigo a quem enganou e Jardim obtiver no voto a caução política que procura para a dívida escondida, passa a ser legítimo que se confunda, de vez, a Madeira com Jardim. Por muito que os madeirenses achem que isso é injusto. Isso muda alguma coisa? Talvez. É esperar pelo que decidirão Passos Coelho e Vítor Gaspar após as eleições. Quanto ao próprio Jardim, mantenha ou perca a maioria absoluta, perde sempre: ou governa sem dinheiro ou sem poder absoluto e ele não sabe fazer nenhuma das duas. O que Jardim já perdeu - e não foi nesta eleição, mas isso e agora mais óbvio - foi a possibilidade de deixar o poder por cima. Sairá tarde, logo mal. Mas só se poder queixar de si próprio.

Maria Henrique Espada - Jornalista da Sábado