António Ribeiro Marques da Silva O facto dos meios de comunicação social da RAM permanecerem mudos perante as actividades da novel Associação Cultural Amigos de S.Jorge leva-me, na simples condição de associado, a pedir ao nosso DN que, através desta secção, seja dado conhecimento de uma das últimas realizações da referida instituição. Nos dias 16, 17 e 18 de Setembro houve várias manifestações de carácter cultural que se traduziram num êxito notável, em que se verificou que uma comemoração de natureza religiosa se pode converter, também, numa realização de verdadeira índole cultural. E o povo de S.Jorge correspondeu magnificamente comparecendo em muitas das cerimónias e actos realizados. No dia 16, pelas 20h30, realizou-se a cerimónia representativa do sucedido em 1761, quando da capela de S.Pedro, provisoriamente sede de paróquia, são transportados os elementos religiosos e até ossadas de mortos para a Igreja renovada. Agora, nos nossos dias, reviveram-se simbolicamente esses tempos antigos com uma guarda de honra do Exército Português e a presença da PSP, Bombeiros Voluntários de Santana, Escoteiros de Portugal e as Confrarias locais, fazendo-se o cortejo que se dirigiu, da Igreja à Capela de S.Pedro, onde a imagem de S.Jorge doi transportada de regresso à igreja actual, fazendo aí a sua entrada triunfal. Impressionante foi a presença de crentes, são-jorgenses e visitantes, que se incorporaram no cortejo. Seguiu-se um espectáculo de luz e som com projecções em que se rememorou parte da História de S.Jorge e da sua Igreja, focando-se algumas das figuras proeminentes que se distinguiram em S.Jorge. O acompanhamento musical da Banda Municipal de Machico foi notável e eu concordo com o locutor que acompanhava as cerimónias quando afirmou, sem querer desconsiderar as bandas de música, que aquela seria antes uma orquestra, juvenil, é certo, mas de indiscutível valor. Honra ao seu maestro e ainda à Banda do Exército e Fanfarra do RG3. No dia seguinte, o ponto alto das comemorações foi a missa solene comemorativa presidida pelo Senhor Bispo D.António Carrilho, com guarda de honra pela Polícia do Exército e a presença de autoridades regionais e nacionais. Seguiu-se a inauguração do Salão Paroquial, recentemente restaurado, com uma exposição de património artístico pertencente à Igreja, originário em parte da primitivas igrejas do Calhau e da capela de S.Sebastião, existente em 1598, junto à Ribeira de S. Jorge.. Nestes dias e ainda no domingo prosseguiram as comemorações, salientando-se os concertos na Igreja, no Auditório Cardeal Gouveia e a inauguração da rua Padre Francisco Marques de Mendonça, precisamente o sacerdote cujo esforço determinou a reconstrução da actual Igreja benzida nesse longínquo ano de 1761. Propositadamente faço este resumido relato sem esmiuçar nomes: foi a partir do núcleo dirigente, do Ex.mo pároco e colaboradores da Associação que se fez um trabalho eminentemente colectivo, a que se associou a população do lugar.