O Primeiro-ministro de todos os portugueses afirmou que os madeirenses vão ter de pagar pelos "buracos" que têm vindo a aparecer nas contas regionais, como se estes mesmos madeirenses não estivessem já a pagar pelos "buracos" de todo o país. Só o resgate do BPN que Sócrates e Passos Coelho decidiram dar uma mãozinha, dava para cobrir toda a dívida da Madeira. Mas os amigos são para as ocasiões e lá se safaram os que entalaram Portugal, desconsiderando agora um território que também é português. Já não sei o que é a palavra "aumento" e desde Janeiro que desconto para várias desventuras, mais o imposto extra que vai cair no subsídio de Natal. Foi a LusoPonte, foi a Casa da Música, foi o CCB, foram as SCUT e os estádios do Euro, são os hospitais que acumulam prejuízos. Os madeirenses pagam para coisas que não desfrutam e para coisas que nem sabemos se os "cubanos" vão construir, como o TGV e o novo Aeroporto de Lisboa. São os madeirenses que também pagam os fabulosos ordenados dos políticos que passam pela Galp, pelo Banco de Portugal e Caixa Geral de Depósitos, pela administração do Metro ou da Carris. A Madeira também contribui para as pensões vitalícias dessa gentalha que desgovernou Portugal durante anos a fio e se vai pendurando em tachos e reformas que criaram para si. Ao ver os orçamentos dos Parlamentos que temos no país e o dinheiro que é atribuído aos partidos, conjugando com o que o Estado paga aos gestores da coisa pública, as pessoas pensam que Portugal é um país rico e bem gerido, financeiramente saudável e economicamente próspero. A situação da Madeira não anda longe da do resto do País. Novamente os políticos a fazerem as coisas tortas, só que aqui foram sempre os mesmos. O nível da nossa dívida seria admissível se tivessem feito, pelo menos, o dobro do que temos. E isto seria o mínimo. Chegámos onde chegámos e cavámos este buraco. Não foi por falta de avisos que o Governo Regional fez o que quis e escondeu grande parte. Estamos assim porque houve falta de fiscalização de entidades que deveriam ser independentes e competentes e não o foram e, quando foram, o GR mandou às favas. O PSD manda nisto há três décadas, e tem pulso em tudo o que não deveria ter, controla tudo o que mexe. Câmaras, juntas, associações, clubes. Pouco há que não tenha o dedo laranja. E a Assembleia, que deveria exercer fiscalização sobre o Governo, ainda goza com o voto de muitos milhares de madeirenses. É o presidente do GR que não põe lá os pés, são os chumbos às audições a secretários, é o gozo geral com a oposição e com parte da população. E o Presidente da República nem mexe uma palha, o representante muito menos. Mas estamos assim, essencialmente, porque o Povo quis. A gente chora, briga, amua, mas na hora do voto parece que está tudo bem. Afinal houve uns jantarinhos, umas espetadas, umas telhas e uns sacos de cimento. Os outros podem ser piores e tal e tal e tal. Enfim, fiam-se na Virgem e não correm! E depois reflectem quando fazem parte dos 20 mil sem emprego, quando perdem a casa e o carro, "pensava que nunca me iria acontecer". No dia 9, estão lá todos outra vez. Estão na política para servir e têm privilégios por isso. E só porque não é fácil provar a corrupção, não se aproveitem. Não é difícil multiplicar o salário pelo número de meses e chegar à conclusão de que o património conseguido não teria sido possível nem no dobro do tempo que estiverem na política. E se não herdaram…! Tenham dignidade e honra, porque essas são as maiores riquezas humanas.

Paulo Gomes