José Maria Amador Com a "descoberta" da imensa dívida pública, a Madeira terá que enfrentar um novo ciclo político, completamente diverso do actual. O ciclo das "vacas gordas" acabou e os novos tempos serão difíceis, como aliás já se verifica no continente e na Europa. Tudo indica que o Dr. Jardim e o PSD-M ganharão mais estas eleições regionais, podendo, contudo, haver algumas surpresas no Funchal, dado tratar-se do concelho onde a oposição costuma ter uma maior expressão eleitoral. É inegável que a Madeira assistiu, durante mais de 30 anos, a um dos períodos mais prósperos da sua existência, em que uma grande parte da população atingiu níveis de vida nunca antes alcançados, sendo essa a explicação dos sucessos eleitorais do líder regional. E onde também se desperdiçou rios de dinheiro em obras faraónicas e em chorudos subsídios perfeitamente dispensáveis. Foi o período das grandes obras públicas, a que não se pode deixar de associar a criação de múltiplos serviços públicos resultantes do estatuto autonómico, e, com isso, a criação de empregos. Há muito tempo que se sabia que esta situação era insustentável, uma vez que a Madeira não tem receitas próprias para custear tanta obra e criar tantos empregos públicos. Essa sustentabilidade só foi possível, graças às transferências orçamentais do governo central, dos fundos europeus e das dívidas à banca que o governo regional contraiu e já não tem meios para as pagar. A descoberta deste enorme buraco financeiro que foi durante longo tempo encoberto pelo GR e que é da sua exclusiva responsabilidade, deveu-se à vinda dos senhores do FMI, do Banco Central Europeu e da União Europeia ao nosso País - a famosa troika - que, num curtíssimo espaço de tempo, constatou aquilo que toda a gente suspeitava: a eminente bancarrota nacional, agora extensiva à Madeira. Ou seja, há anos que o País, com a conivência de políticos, empresários e da banca, vivia muito acima das suas reais possibilidades. Chegou a altura da Madeira "apertar o cinto", com os sacrifícios que serão impostos e que irão afectar muitos milhares de madeirenses tal como já acontece no continente. Uma vez que a responsabilidade da situação criada na Madeira se deveu à política económica e financeira do PSD-M e do seu líder que governaram durante décadas com maiorias absolutas, parece óbvio que deve ser este partido a assumir a responsabilidade de governar este novo ciclo de medidas impopulares em que se antevê, para já, aumentos de impostos, o fim dos subsídios e avales a empresas públicas economicamente inviáveis e ao corte de transferências financeiras do governo central para a Região. Ao contrário daquilo que seria de esperar por parte do Presidente do GR, que mais parece um homem acossado com os sacrifícios que vão ser impostos, vociferando contra tudo e contra todos, procurando bodes expiatórios onde eles não existem, deveria preparar os madeirenses para os tempos difíceis que aí vêm, de forma serena e sem dramatismos. Pelos vistos, não é essa a sua opção. Aguardemos pelos episódios que seguem, até ao dia das eleições.