O gooddwill é um termo que passou a entrar no léxico do mundo dos negócios com a alteração do modelo contabilístico que entrou em vigor em 2010. Mas afinal o que é o goodwill? Quando se compra um património, uma empresa por exemplo, por um valor superior ao justo valor dos seus activos diminuídos dos seus passivos, então estamos em presença de um goodwill, devendo a diferença ser reconhecida no activo da empresa como goodwill. Ou seja, se uma empresa é adquirida por € 1.000.000, cujo património líquido, avaliado pelo seu justo valor vale apenas € 800.000, então estamos perante um goodwill de € 200.000, cujo valor deve ser reconhecido no respectivo balanço. A amortização do goodwill é realizada de acordo com o fundamento que deu origem ao seu valor, isto é, quando a mais valia resulta da diferença entre o valor de mercado dos activos líquidos da investida e o respectivo valor contabilístico, a amortização deverá ser realizada à medida que os activos forem sendo realizados por depreciação, amortização, alienação ou deperecimento do investimento. O goodwill negativo deve ser reconhecido imediatamente em resultados. Não raras vezes, o conceito de goodwill é considerado como se de um trespasse se tratasse. Contudo, estes conceitos são distintos. Fazendo um enquadramento global, os trespasses podem incluir, além do direito ao arrendamento, dos bens do activo imobilizado e das existências, a carteira de clientes, até o intangível (goodwill) do negócio que pode ser valorizado. Esse intangível, deverá ser registado numa conta de activos fixos intangíveis, e corresponderá ao valor remanescente, ou seja, ao valor resultante da dedução ao valor pago dos valores atribuídos (justo valor) aos bens, direitos e obrigações transmitidas, incluindo o próprio direito ao arrendamento. Só haverá goodwill se o valor pago pela aquisição for superior ao justo valor dos bens, pois caso contrário estaremos perante um simples trespasse. Resumindo, o trespasse pressupõe a continuidade da actividade anteriormente exercida normalmente, podendo gerar ou não um goodwill, o qual incorpora a localização do estabelecimento e a clientela, entre outros factores. A análise de todos os factores abordados e a sua relação com informações contabilísticas servem de base para uma profunda reflexão sobre os princípios e fundamentos da actual contabilidade. A mudança no perfil das empresas no mundo é uma forte razão que justifica a constante busca pelo aperfeiçoamento da contabilidade em factos tão relevantes como: a) O distanciamento cada vez maior entre o valor de mercado de uma empresa e o seu valor contabilístico; b) O enorme peso da intangibilidade no real valor das empresas. Henrique J. Pontes Leça, Gestor de Empresas

Henrique J. Pontes Leça