Ricardo Vieira Escrevo-lhe em consequência da sua entrevista que ouvi atentamente. No geral gostei, e dela realçou a sua personalidade de homem sério e empenhado. Houve porém partes, em relação à Madeira, que ficaram mal esclarecidas. Percebi a sua reacção ao saber pela Troika, de um endividamento escondido da Madeira quando analisavam a banca portuguesa - confessou que foi um murro no estômago. Percebi a revolta para quem está a tentar garantir que não escondemos as evidências debaixo do tapete como os gregos! Mas ficou a sensação para quem o ouvia, que a critica parecia ser mais à dívida do que ao ocultamento! E isso não é justo! Sabe, a Madeira endividou-se excessivamente para o número de habitantes que tem. Exageradamente nos últimos anos para os resultados que pode mostrar para a mesma época. Mas há muitas outras dívidas que o País tem e que também não têm justificação. E o madeirense não merece que se coloque um rótulo sobre o seu endividamento quando não é tão diferente daquele que se generalizou em Portugal. Eu esperava que o Senhor falasse antes da "chico-espertice", da esperteza saloia de tentar enganar o parceiro! É isso que nos envergonha e não tanto dos números da dívida! Falo de ética e de honra e nessa os madeirenses não se confundem! Aceitam o endividamento mas com o cumprimento da lei e desde que se destine a resultados palpáveis e de benefício, o que infelizmente também já não é líquido! Depois, saiba que eu não me confundo com aqueles que têm como solução a "independência da Madeira", a sua venda em leilão ou o castigo. Repúdio os Sousa Tavares ou Vitais Moreiras deste País que sofrem de azia sempre que ouvem falar dos portugueses destas ilhas. Eles desconhecem que os madeirenses são exemplo de amor à Pátria e sabem - saberão! - sair deste atoleiro com dignidade, sem protectorados humilhantes! Os madeirenses ainda vivem com uma liderança carismática que corporizou um regime de décadas. Reconhecem que o ciclo chegou ao fim e envergonham-se destes truques ilegais. Mas por si sós sabem encontrar outros caminhos, reconhecendo que não há insubstituíveis e que há um plêiade de voluntários para abraçar as difíceis causas que aí vêm. Tenho pena de não o ter ouvido falar da fé na gente desta terra que em larga maioria votou em si e na maioria parlamentar que apoia o seu Governo. Compreendo a sua dor de estômago, mas os grandes líderes sabem ver a floresta sem ser apenas através da árvore que está à entrada! Alguém lhe devia ter explicado que os madeirenses não merecem nem aceitam estatutos de menoridade e já não vão em cantos de cisnes! A solução vai ser encontrada por nós próprios, tenha essa certeza! Com elevada consideração Ricardo Vieira