Nas últimas semanas a Madeira tem sido o assunto principal dos noticiários nacionais, ocupando todos os meios de divulgação, os media e as redes sociais, por motivos, que reconhecemos, extravasam o admissível, numa indesejável palhaçada que nos atira a nós, madeirenses, para uma situação de algum enfraquecimento. Numa perspectiva de comunicação institucional direi que não temos sabido lidar com as notícias. As notícias boas duram pouco e, muitas vezes, resumem-se às das revistas cor-de-rosa, que mostram, no rectângulo peninsular, a Madeira e os madeirenses de braço dado com as vaidades pessoais de alguns políticos regionais, ou porque entre os cocktails e os croquetes de uma festa regional ou na Região pairavam algumas figuras decadentes ou recém-chegadas à ribalta, recortadas e recrutadas no meio artístico nacional, que nós pagámos para pousarem nas nossas bonitas paisagens. Se uma imagem vale mil palavras deixem os nossos vales e montanhas sós, assim como todos os quadros que essas festas proporcionam apenas com as nossas gentes, escolhendo para o lado os que têm os dentes estragados (que são gente, sim senhor, mas que não se apropriam para o melhor postal turístico) e os que sentem esse ímpeto inquietante de se colocarem à frente dos fotógrafos, porque se intitulam donos da festa. As notícias más, infelizmente, surgem sem pedirmos. Umas vezes porque a Mãe Natureza se encarrega de nos castigar, mesmo que pensemos que não somos merecedores. Outras vezes, porque os políticos e os que à sua volta gravitam acham que são mais espertos que todos os outros que criticam, por motivos e em circunstâncias várias, por pecados contra o povo e a nação, logo de lesa-Pátria, e, afinal, nos arrastam por ruas e becos menos partilhados ou escusos, que confluem no mesmo lamaçal de irregularidades. Enfim, um caminho armadilhado, de bonitas vivendas ou largas estradas alcatroadas, por onde, num cenário de pura ficção, me arrisco a prever povoado de proprietários endividados, empreiteiros na miséria ou transeuntes descalços em caminhos reservados a carros de alta cilindrada, coisas de um passado recente quando a fartura foi desperdiçada ou se usou o que não se tinha. Preocupo-me muito com a repercussão do que acontece no arquipélago lá fora. Estão a notar, dirão alguns. Pois é, o complexo de ser ilhéu, cismarão outros. Felizmente, acho que não o tenho. Acho é que há muita gente nesta terra que despreza as repercussões dos factos. Dos bons e dos maus. Mas, não podemos esquecer que somos uma terra de turismo. Além dos efeitos que a atitude de alguns provoque sobre o Povo Madeirense – efeitos bons ou maus, isso depende da capacidade de apreciação de cada um – temos de atender à propagação da bondade (ou não) das notícias e de quem estamos a atingir com os excessos de linguagem que, ostensiva e ofensivamente, atingem, os que nos trazem o pão, os que nos ajudaram no ano passado, quando o País se mobilizou pela Madeira, e que são o nosso melhor mercado turístico. Serei tão exagerado e tão irresponsável se disser que os factos políticos (e não só, porque a gravidade ultrapassa a pendência partidária ou a opção empreendedora dos governantes) dos últimos dias, contribuirão para afectar o excelente nome deste destino turístico num cenário que já estava enfraquecido por esta indiscutível falta de dinheiro que amolece e adia os planos dos Portugueses? E já que escrevo novamente sobre turismo, recordo que em 2008, os indicadores mostraram que a Madeira foi a região “mais beneficiada pelas ajudas do Turismo de Portugal pois, representando apenas 10,3% das camas que Portugal oferecia, recebeu 17,1% das verbas afectas à promoção” (DIÁRIO 29DEZ08). Nem aqui teremos razão de queixa. Mas trata-se de uma questão que não gosto de colocar neste patamar comparativo. Entendo o País no seu todo e a solidariedade nacional nos dois sentidos. Sem complexos nem constrangimentos, porque, francamente, não os tenho, nem nunca os senti. Nem deixo que aconteçam.