
É bom que o país perceba que há floresta à seca, além do excêntrico eucalipto Nunca a Madeira foi tantas vezes notícia pelos piores motivos. E até parece que se descobre um novo buraco financeiro cada vez que Alberto João Jardim abre a boca para justificar a inqualificável dívida escondida (para já, são mais de mil milhões de euros em encargos assumidos e não pagos) ou para assinar ‘esclarecimentos’ – daquelas prosas que tentam branquear a realidade e disfarçar as ‘nódoas’ do desterro e do despesismo – tentando convencer o povo que o dinheiro foi bem empregue, que o sobreendividamento valeu a pena e que a omissão da dívida foi uma inteligente estratégia política. O exemplo mais recente que elucida bem o método com que a máquina do partido do governo intoxica a opinião pública foi aquela hilariante tentativa de ensaboar as suas próprias palavras, depois de Jardim ter confessado, no calor de um comício do PSD-M, que ocultou a dívida com mestria. "Não era aconselhável que mostrássemos o jogo todo porque senão o governo socialista, que não era sério, tirava-nos o dinheiro todo e nós estávamos em estado de necessidade. Por isso, agimos em legítima defesa", declarou, perante uma multidão embevecida com o banquete e uma juventude frenética que agitava bandeiras laranjas com uma seta a apontar para o abismo. Soube-se no dia seguinte que, afinal, Alberto João não tinha assumido qualquer ‘mea culpa’. Foi a reles comunicação social que premeditou uma, imagine-se, “manipulação de eventual frase ou ‘lapsus linguae”. (Já agora, o que é uma eventual frase? Será uma conjugação de presumíveis palavras?) A ocultação da dívida às instituições da República e da ‘troika’ é, no mínimo, uma irregularidade administrativa grave que põe em causa a hombridade do Executivo e a legitimidade da sua governação. Esta recandidatura roça a provocação. Enfim, quem não merecia esta ira nacional crescente e contagiante, nem o rótulo de caloteiros, de ingratos e desonestos são todos os cidadãos sem excepção - da Madeira, do Continente ou dos Açores.Mas mais motivos têm os madeirenses para se sentirem ofendidos e indignados pelo facto de verem o próprio governo que a maioria elegeu, mais empenhado em não falar a verdade, em esconder a realidade das contas públicas até ao fecho das urnas e uma vez garantida a reeleição, do que em revelar quanto custará a cada madeirense a dívida omitida. Na habitual fuga “prà frente”, Jardim ignora os debates e não avança soluções para os problemas que causou. Como saber, por exemplo, como será aliviado o peso dessa onerosa factura que todos nós acabaremos por herdar, mas que tem na sua génese uma política desastrosa, nula em prioridades, refém da autocracia do betão e mutilada por sucessivos desvarios com motivações eleitoralistas. Constrange ver que este governo não se incomoda em acumular calotes e que, por força disso, as farmácias suspendem a venda de medicamentos comparticipados aos pensionistas, as empresas mergulham em insolvências, os trabalhadores vão para o desemprego, a banca – com quem o governo tem negociado créditos para pagar os salários dos funcionários públicos – está descapitalizada. Esta é a parte da história que eu gostaria de ver contada nos noticiários nacionais: que à beira do mesmo precipício e por detrás daquele faminto e excêntrico eucalipto, também há floresta à seca. Talvez seja tempo de alguém aprender que “o Estado não nasceu para gerir empresas”, conforme disse ontem Pedro Passos Coelho. A obsessão de Jardim por controlar tudo e fazer todos depender de si é gritante. A necessidade de declarar publicamente – “sou eu quem mando” – chega a ser um delírio preocupante. Por outro lado, é bom que todos os madeirenses percebam que têm uma oportunidade soberana para proclamar a sua inocência e auto-declarar, num exercício de consciência e democracia, a absolvição individual nesta trapalhada. Porque cabe-nos a exclusiva responsabilidade e o direito de assumir - porque também temos o dever, agora acrescido, perante todos os portugueses - de que lado estamos, nas eleições regionais do próximo dia 9 de Outubro. E que do resultado eleitoral da Madeira, retiraremos todos, sem excepção, as devidas ilações. Porque o voto, ao contrário da dívida, não se esconde nem se omite por conveniência ou capricho, para ser cobrado mais tarde.
É bom que o país perceba que há floresta à seca, além do excêntrico eucalipto
Nunca a Madeira foi tantas vezes notícia pelos piores motivos. E até parece que se descobre um novo buraco financeiro cada vez que Alberto João Jardim abre a boca para justificar a inqualificável dívida escondida (para já, são mais de mil milhões de euros em encargos assumidos e não pagos) ou para assinar ‘esclarecimentos’ – daquelas prosas que tentam branquear a realidade e disfarçar as ‘nódoas’ do desterro e do despesismo – tentando convencer o povo que o dinheiro foi bem empregue, que o sobreendividamento valeu a pena e que a omissão da dívida foi uma inteligente estratégia política.
O exemplo mais recente que elucida bem o método com que a máquina do partido do governo intoxica a opinião pública foi aquela hilariante tentativa de ensaboar as suas próprias palavras, depois de Jardim ter confessado, no calor de um comício do PSD-M, que ocultou a dívida com mestria. "Não era aconselhável que mostrássemos o jogo todo porque senão o governo socialista, que não era sério, tirava-nos o dinheiro todo e nós estávamos em estado de necessidade. Por isso, agimos em legítima defesa", declarou, perante uma multidão embevecida com o banquete e uma juventude frenética que agitava bandeiras laranjas com uma seta a apontar para o abismo. Soube-se no dia seguinte que, afinal, Alberto João não tinha assumido qualquer ‘mea culpa’. Foi a reles comunicação social que premeditou uma, imagine-se, “manipulação de eventual frase ou ‘lapsus linguae”. (Já agora, o que é uma eventual frase? Será uma conjugação de presumíveis palavras?)
A ocultação da dívida às instituições da República e da ‘troika’ é, no mínimo, uma irregularidade administrativa grave que põe em causa a hombridade do Executivo e a legitimidade da sua governação. Esta recandidatura roça a provocação. Enfim, quem não merecia esta ira nacional crescente e contagiante, nem o rótulo de caloteiros, de ingratos e desonestos são todos os cidadãos sem excepção - da Madeira, do Continente ou dos Açores.Mas mais motivos têm os madeirenses para se sentirem ofendidos e indignados pelo facto de verem o próprio governo que a maioria elegeu, mais empenhado em não falar a verdade, em esconder a realidade das contas públicas até ao fecho das urnas e uma vez garantida a reeleição, do que em revelar quanto custará a cada madeirense a dívida omitida. Na habitual fuga “prà frente”, Jardim ignora os debates e não avança soluções para os problemas que causou. Como saber, por exemplo, como será aliviado o peso dessa onerosa factura que todos nós acabaremos por herdar, mas que tem na sua génese uma política desastrosa, nula em prioridades, refém da autocracia do betão e mutilada por sucessivos desvarios com motivações eleitoralistas.
Constrange ver que este governo não se incomoda em acumular calotes e que, por força disso, as farmácias suspendem a venda de medicamentos comparticipados aos pensionistas, as empresas mergulham em insolvências, os trabalhadores vão para o desemprego, a banca – com quem o governo tem negociado créditos para pagar os salários dos funcionários públicos – está descapitalizada. Esta é a parte da história que eu gostaria de ver contada nos noticiários nacionais: que à beira do mesmo precipício e por detrás daquele faminto e excêntrico eucalipto, também há floresta à seca. Talvez seja tempo de alguém aprender que “o Estado não nasceu para gerir empresas”, conforme disse ontem Pedro Passos Coelho. A obsessão de Jardim por controlar tudo e fazer todos depender de si é gritante. A necessidade de declarar publicamente – “sou eu quem mando” – chega a ser um delírio preocupante.
Por outro lado, é bom que todos os madeirenses percebam que têm uma oportunidade soberana para proclamar a sua inocência e auto-declarar, num exercício de consciência e democracia, a absolvição individual nesta trapalhada. Porque cabe-nos a exclusiva responsabilidade e o direito de assumir - porque também temos o dever, agora acrescido, perante todos os portugueses - de que lado estamos, nas eleições regionais do próximo dia 9 de Outubro. E que do resultado eleitoral da Madeira, retiraremos todos, sem excepção, as devidas ilações. Porque o voto, ao contrário da dívida, não se esconde nem se omite por conveniência ou capricho, para ser cobrado mais tarde.