Nesta altura em que tanto se fala em Orçamentos e em cortes orçamentais, resolvi olhar para o meu umbigo e verificar qual é o meu orçamento pessoal para 2012 e como é que se compara com orçamentos de anos passados. Para minha surpresa constatei que o meu vencimento em 2012 vai ser inferior ao de 2002, isto em termos nominais. Assim, dados os aumentos dos preços, agravados pelos aumentos do IVA, o aumento da carga fiscal, o meu rendimento disponível real vai ser muito inferior ao de 2002. A solução só é uma: "gastar menos do que gastei em 2002!". Como? Pegar numa folha de papel, colocar todas as despesas e começar a cortar as que menos diminuem o meu bem-estar. Repetir este exercício até as despesas caberem dentro do meu orçamento. Como sou funcionário público, a situação em que me encontrarei é resultado de decisões do "Estado" que decidiu cortar o meu vencimento. E se eu como cidadão pudesse inverter o ditado que dá o título a esta opinião e conseguisse obrigar o Estado a "sofrer" o mesmo que eu, ou seja, a ter um nível de despesas igual ao de 2002, isto é, em vez de ter cerca de 90 milhões de euros de despesa para Administração Pública em 2012, ter menos de 60 milhões… Parece inimaginável um corte desta grandeza ou mesmo impossível, mas para um "Estado" que tem andado a pedir-nos tantos sacrifícios é bom que pegue também numa folha de papel e num lápis e continue a cortar nas despesas que não vão afectar muito o nosso bem-estar colectivo. É esta lista de despesas a cortar que se pede que os responsáveis das Instituições saibam fazer em vez de em praça pública "empurrarem as responsabilidades com a barriga".
Pedro Telhado Pereira, Professor Catedrático da Universidade da Madeira