Todo o Governo desta Região Autonóma fez-se em nome da Obra! Não interessa nem interessava, se boa ou má, se necessária ou desnecessária, o que interessa e interessava é que houvesse Obra! Obra repartida ou Obra por inteiro, Obra para inaugurar em várias fases de centenas de metros no caso de estradas ou dezenas de postes de electricidade e em vários actos eleitorais, o que interessava é que a Obra fosse feita! Obra que muitas vezes não cumpria o orçamentado através dos custos a mais, Obra que por vezes não usava os materiais que o orçamento se comprometia a utilizar, Obra que não cumpria em muitos casos os requisitos de segurança ambiental fazendo disso uma questão quase de princípio para enfrentar os ambientalistas, Obra que em muitas situações apenas visava o máximo lucro para os seus executores e o cumprimento dos calendários eleitorais. E fez-se Obra! Muita Obra! Necessária muita dela e que beneficiou a população! Desnecessária e mal feita também muita dela sobretudo nos ùtimos anos! E esqueceu-se o desenvolvimento económico gerador de emprego mais estável e de mais riqueza! Gastaram-se rios de dinheiro! O que se tinha e o que não se tinha! Endividou-se por bons e maus motivos! Estima-se que em mais de 7 mil milhões de euros! Enquanto durou a muita Obra muito emprego houve! Quando começou a falhar, muito desemprego ficou! Hoje em Agosto deste anos chegou aos 17.231 desempregados contra os 14.556 do mesmo mês do anos passado! Deste modelo de desenvolvimento ficou o desemprego e ficou a dívida! Com a agravante de que quem vai pagá-la é quem não lucrou financeiramente com esta política da Obra! Aliás já estamos a pagar a dívida nacional e vamos assumir a parcela dos custos da dívida regional! Pagamento a dobrar! E agora ninguém nos vai ajudar! Com a descoberta da "contabilidade paralela" do Governo Regional assumida como necessária para defesa da RAM perante os socialistas, para logo ser desmentida porque era confissão de crime, caíu este poder regional no mais baixo grau de confiança a nível nacional e internacional. Ultrapassar limites de endividamento é uma coisa grave! Esconder dados que por Lei deviam ser fornecidos é outra - é crime! O problema é que a Lei portuguesa é muito branda - apenas multa quem assim actua e não se mostra digno de confiança para continuar num cargo público desta importância! Os cidadãos madeirenses estão preocupados com a actual situação e com razão! Devem reflectir sériamente sobre o que significa um comportamento destes! Mais - devem pensar sobre o que aí vem! Já sabemos que pelo menos vai acabar o subsídio de Insularidade para os Funcionários Públicos, vão ser impostos níveis maiores de despedimentos na Função Pública que no Continente, deve acabar o valor do IVA mais baixo que no resto do País por razões da nossa Insularidade, a aplicação das taxas moderadoras na Saúde, o aumentos dos preços dos Transportes, etc.. E se mais buracos escondidos, mais um caso se confirme o de 220 milhões de euros da EEM, forem descobertos maior vai ser a dose de austeridade que vamos apanhar a somar à austeridade que já sofremos por causa da dívida nacional! Esta esperteza saloia, aparentemente feita para defender a Madeira, está voltar-se contra o Povo da Madeira! Não se volta contra os responsáveis por estes desmandos! Que eu saiba a Auditoria às contas da RAM não está a verificar como foram gastos os milhares de milhões de euros da dívida, a legalidade dos custos a mais das Obras, a validade de certos negócios - das parceria público-privadas, o papel dos Institutos Públicos e Sociedades de Desenvolvimento, a promiscuidade entre cargos públicos e privados sem incompatibilidades, etc.. O que se vê é o extremo cuidado do Presidente da República e do Primeiro-Ministro em não se pronunciarem devidamente sobre um escãndalo que numa Democracia a sério daria a exigência de demissão imediata dos responsáveis!
Paulo Martins