J.O. Imagine uma escada onde os degraus representam os elementos de uma sociedade. No primeiro degrau estão os poderosos do dinheiro e os protegidos das leis, asseguram-se mutuamente, ambos com capacidade de aplicar força para obter razão. Os restantes submetem-se aos seus caprichos. Caprichos? O rico quer ser mais rico e torna-se agiota pela ganância, promove atalhos de ganhos fáceis. Quem faz leis não entende como funciona a economia real mas sabe extorquir legalmente para dar vida ao estado. A facilidade de manipular a realidade, por submissão, cria buracos e por cada um surge uma extorsão. A corda estica pela cegueira do poder, engenharia do caos. Com o primeiro degrau impune e imune, os degraus inferiores nada podem fazer, estão submissos ao dinheiro e a lei. Arranca o ciclo vicioso da desgraça em molde da prosperidade. Do alto da escada, bancos e estado prevaricam ao ponto de destruir os seus impérios. Ganância, incompetência, vaidade e megalomanias. O problema toma forma. Atiram-no para o degrau seguinte onde chega a vapor de cifrões e prossegue sem ninguém assumir responsabilidades, todos transferem. Já "lava", chega ao último degrau e desaparece com ele. Era um problema de topo embrulhado de presente. Desaparecer é deixar de ter identidade e dignidade, é sair do ciclo. É apagar a lava com uma gota de água sem capacidade de atirar para outro degrau. Entrega os seus valores da sua vida "gratuitamente" ao primeiro, sede da banca e do poder político. Saciam-se para recomposição dos desvarios, a lava retornou em algodão doce, à temperatura ambiente, rica, adocicada mas sobretudo à borla. A escada prossegue em funcionamento, o segundo degrau mais baixo assume a responsabilidade, sabe do exemplo anterior mas não tem forma de escapar. O ciclo renova-se com cada degrau em falso mas a escada envelhece. Quem realmente produz desaparece num mundo entregue a financeiros, manipuladores e mal acostumados. Os economistas avisam. Aprendemos que a riqueza advém do trabalho mas agora leva à escravidão, trabalhamos para impostos e juros, sem título de valor no haver. Trabalhamos para ser pobres. Pressupõem-se que a história dos degraus termina quando o topo tiver, finalmente, usufruído de bens e valores suficientes para pagar o concerto da escada rolante. Teremos uma escada com um só degrau ou temos que mudar de escada?