Estava a observar os cartazes de campanha espalhados pelo Funchal e fez-me recordar uma amigável e profícua discussão que tive com o meu saudoso professor de Estética, António Gorjão, sobre a definição dos conceitos de simplicidade e simplismo na Arte. A simplicidade exige o domínio do tema, ter conhecimentos para conseguir traduzir e expressar uma ideia complexa de forma simples. O simplismo é o oposto e está associada a superficialidade e muitas das vezes ao que em calão denominamos de "foleiro". A moda do emplastre agora transposta para alguns dos cartazes desta campanha com resultados "simplistas" já se tinha notado na anterior campanha eleitoral. Fique claro que não estou a falar do famoso emplastre dos directos que antecedem os jogos de futebol nos canais nacionais, refiro-me a moda dos partidos da oposição que teimosamente colocam pessoas no segundo plano quando das declarações que fazem para os noticiários da RTP Madeira e de aplicarem esse princípio, quanto a mim errado, nos cartazes de campanha. Os cartazes partidários deveriam ser elaborados com base no conceito da simplicidade, ter como objectivos a transmissão e reflexão simples de ideias e propostas e sobretudo dar a conhecer os candidatos. Acontece que os partidos da oposição que mais necessitam do conceito da simplicidade são os que mais usam o simplismo. Os cartazes na sua maioria contém erros básicos na concepção gráfica e nas imagens, - cor dos fundos e letras, tamanho e estilo de tipos de letra, composição, enquadramentos e poses das fotografias. Elaborados na maior parte das vezes por "genéricos" de designers e fotógrafos, estes "genéricos" ao contrario dos medicamentos não têm o mesmo principio activo (neste caso conhecimento) por isso não podem ter o mesmo efeito na "doença" que têm os de marca. A sempre usada desculpa dos custos não encaixa aqui, porque pagar pouco e ter mal feito é sempre mais caro. Destaco dois partidos, BE e PSD. Os cartazes do BE conseguem ter os dois conceitos, a simplicidade do "azeiteiro" e o simplismo do cartaz dos candidatos. Nota para o paradoxo do partido que ganha sempre, que embora use sempre nos seus cartazes o "simplismo" não o impede de ganhar quase todas as eleições. Será esta a receita? Penso que não pois se fosse já haveria outros vencedores.
Gregório Cunha, Fotojornalista