É uma temática recorrente pela importância de que se reveste para o futuro da Região e para o desenvolvimento do Serviço Regional de Saúde, como o demonstra um recente inquérito de opinião elaborado por este matutino onde se constata que a primeira prioridade dos madeirenses é a construção de um novo hospital. Só não vê esta evidência e não questiona a decisão tomada quem recusou receber e ouvir o grupo de reflexão para a saúde na RAM, que em devido tempo solicitou reuniões com as várias entidades regionais envolvidas na matéria, após um progressivo e importante trabalho de reflexão e recolha de informação. Cientes do seu papel, no âmbito das suas competências e atribuições o grupo constituído pelas ordens profissionais e associações sindicais dos Médicos e dos Enfermeiros, vai continuar a reflectir sobre esta temática de forma a desenvolver e aprofundar as razões que justificam a construção de um novo hospital. Após plasmar as principais preocupações num documento inicial, que expressa o estado da actual estrutura e das reais limitações da sua remodelação/ampliação, o grupo organizou, uma conferência onde pela diversidade e competência técnica dos prelectores intervenientes se constatou as evidentes mais-valias da construção de um novo edifício de raiz, contemplando os mais recentes conceitos de engenharia e arquitectura hospitalar. As condições existentes no inicio do actual século revelaram-se uma boa oportunidade de materializar tão importante obra. Atendendo às condições actuais, as futuras gerações não compreenderão as razões da revogação e muito menos os motivos que barraram a reserva dos terrenos e da óptima localização para tão importante construção. O actual hospital Dr. Nélio Mendonça exibe um modelo obsoleto e comprometedor do cabal cumprimento assistencial, impedindo o desenvolvimento formativo e as boas práticas clínicas, decorrentes da dispersão das suas instalações, constrangidas a três décadas de contínuas remodelações e ampliações, algumas mal planeadas, mal estruturadas, sem intercomunicabilidade e sujeitas, a curto prazo a grandes custos de manutenção, com limitações estruturais e arquitectónicas, inserido numa zona urbana com constrangimentos de acessibilidades, sem capacidade de crescimento. Com as atuais instalações desajustadas, não é possível conjugar o respeito pela dignidade dos utentes e profissionais com a eficiência e a segurança da prestação de cuidados, particularmente nos espaços exíguos e adaptados para as diferentes actividades. A nova unidade hospitalar será sempre uma mais-valia para a saúde de toda a população, com melhores condições de atendimento e internamento dos utentes, melhores condições de trabalho para os profissionais e melhor gestão e rentabilização dos recursos, proporcionando a uma região turística e ultraperiférica, cuidados de saúde de excelência.

Juan Carvalho