Enquanto o Governo se diverte a brincar às escondidas, muitos cidadãos madeirenses fartam-se da chantagem e da rede clientelar. E denunciam a fórmula que tem garantido maiorias sucessivas, um composto explosivo de perseguição, medo, alcatrão, festa e borlas.
Um professor, que sempre trabalhou, confidenciou ontem estar no desemprego por razões políticas. Foi contratado por um ano e logo aconselhado a inscrever-se no partido que põe a Madeira em estado de sítio. Não fez a vontade aos senhores do regime que procuram eternizar-se no poder. Tramou-se por uma boa causa, a sua honestidade e outros valores que não o dinheiro. Todos os dias é ultrapassado na lista de espera por quem tem menos habilitações e competências, embora com trunfo imbatível, a ficha laranja. Admite amarelar no topo da lista, mas sem pão para partilhar com quem dá a mão todos os dias, apenas por não ter acedido ao convite ‘inscreva-se no PSD e seja feliz para sempre’.
A alguns lares da Região chegam ordens superiores para que, a 9 de Outubro, o respeitável eleitor idoso ou doente esteja pronto à hora certa para que o possam levar à mesa de voto. Assim, sem mais, é imposto o voto obrigatório. Como se este vigorasse nesta Autonomia de democracia deficitária. Como se o idoso não tivesse direitos.
Por essa ilha fora consultam-se minuciosamente cadernos eleitores. Quem manda sabe quem se abstém. E cobra caro por esta legítima expressão da cidadania: manda bocas, empata projectos, adia licenciamentos e até afasta de concursos as propostas mais vantajosas.
Mas há mais. De porta em porta surgem distintos social-democratas avisando que nas próximas eleições importa não esquecer quem ainda vai garantindo as reformas que se vão pagando, o pai teso feito generoso pela propaganda fraudulenta. Como a esmola é escandalosa, a mesma gente distrai o povo com sacos de brindes, cabazes e t-shirts porventura asiáticas. Já é Natal! Eles querem que assim seja.
Neste repugnante jogo escondido há manobras bem mais sofisticadas, contabilidades paralelas, adjudicações duvidosas, gestão danosa, desenvolvimento virtual, má governação, PIB empolado, fundos desperdiçados e dívidas sem fim, opções merecedoras de processos criminais e de repúdio mundial. Sem surpresa. As páginas do DIÁRIO testemunham as irregularidades com décadas que agora, tarde e mal, a soberania de um Estado que tolera excepções julga serem “graves”.
PS 1: Marcelo Rebelo de Sousa confirmou ontem à noite o que escrevi na análise de domingo ‘Crime e castigo’. Que a dívida oculta foi apurada graças aos dados da banca e não à conta da alegada generosidade de Jardim em mostrar a contabilidade oficial. Alguém desmente?
PS 2: Jardim já admitiu por duas vezes que escondeu deliberadamente as contas da Região ao Estado. O Ministério Público está à espera de uma terceira confissão?
PS 3: Foram vários os directores convidados pelo BE para debater o futuro da comunicação social e a liberdade de imprensa na Madeira. Só o do DIÁRIO marcou presença. Por muito que seja conveniente o refúgio nos artigos de encomenda sem assinatura e a crítica mesquinha em circuito fechado, a quem serve a fuga sistemática ao confronto?