Miguel Santos A pré-campanha para as eleições regionais na Madeira tem sido vincadamente marcada pelas revelações sobre o real descalabro das contas públicas regionais, que deixam a região numa situação de bancarrota e a necessitar urgentemente de ajuda exterior para poder cumprir com as suas obrigações. Apesar da situação ser gravíssima, só constituirá uma surpresa para os muito distraídos: as denúncias para o que se passa com a governação da região têm vindo a ser feitas há vários anos, quer pela generalidade dos partidos da oposição quer por entidades independentes como o Tribunal de Contas. Mas, ao contrário do que por vezes se quer fazer parecer, a dívida regional não é a causa dos males da nossa região mas antes uma prova do muito de errado que foi feito e denunciado, apesar da constante negação das evidências por parte de quem há mais de 30 anos lidera os destinos da nossa terra. A Madeira chegou pois a uma situação limite que precisa de ser invertida mas, para tal, é necessária uma nova governação que volte a se preocupar com o reais interesses da maioria dos Madeirenses. Estou convencido que os Madeirenses, conhecendo finalmente - e sem qualquer margem para dúvida - a verdade sobre a situação da nossa região, irão, com a coragem que os caracteriza, tomar uma decisão no sentido da mudança. Contudo compete também aos partidos da oposição esclarecerem, de forma clara, a sua visão para a Madeira, para que os Madeirenses saibam exactamente com o que contam quando forem votar. O CDS, após várias hesitações, declarou que não estaria disponível para efectuar uma coligação com um PSD liderado por Alberto João Jardim. Mas o que quer isso realmente dizer? Estará então o CDS disponível para efectuar uma coligação com um PSD-M com Jaime e Filipe Ramos, Coito Pita, Tranquada Gomes, etc? Se o CDS está realmente interessado numa efectiva mudança de regime tem de, de forma evidente, se desmarcar do PSD e das suas políticas que conduziram a Madeira para a bancarrota. Julgo desejável que, quer o CDS quer o PS-Madeira, sejam capazes de deixar uma janela de entendimento aberta, para que, dependendo daquilo que seja a vontade dos Madeirenses nas urnas, possam eventualmente formar um governo de coligação capaz de devolver a esperança para a nossa região!