Devo confessar que até eu me sinto estranho. À hora a que escrevo este artigo, centenas de militantes e simpatizantes do PSD estarão a acabar a jantarada depois do comício de ontem no Porto da Cruz. E neste dia em que o mundo desabou sobre a cabeça de Alberto João Jardim (e nós é que vamos pagar os estragos) sinto-me solidário com o presidente. Estou mesmo ao lado do presidente numa das suas últimas ideias: fazer uma revolução. Um 26 de Abril, disse o líder madeirense, que ontem foi quase tão falado em todo o Mundo como Obama ou Kadafi. Ou mais! Uma revolução, sugeriu o presidente. Não sei se é mesmo o único importante mas é de certeza o único que conheci desde que deixei de ver os filmes do Vasco Granja e o Sítio do Pica Pau Amarelo. Uma revolução. Primeiro estranhei a ideia. Para quê uma revolução numa terra tão pacata? Mas depois percebi: a revolução que Jardim quer é para Lisboa. Aí passei a discordar um bocadinho. Mas só um bocadinho. Alinho na ideia de uma revolução mas só se for aqui. Sim, encher aí uma praceta qualquer para dizer que chega de brincadeira, que já nos cobriu de vergonha mais do que o suficiente, que estamos cansados de ser o bombo da festa. Da sua festa! Nem digo voltar a encher o Largo do Colégio como em 75. Contentava-me com uma manifestaçãozinha inocente e totalmente pacífica. Que podia ser à porta da Quinta Vigia ou no Beco dos Ausentes, mas o ideal mesmo seria um pouco por toda a ilha, sem cartazes nem megafones. O importante, como sugere o senhor presidente, é uma revolução para mostrar que nem todos estão a dormir na forma. Que alguns estão de pestana aberta e não entendem esta forma de governar. Faço parte daquela vastíssima maioria de madeirenses que não quer mal ao presidente. Antes pelo contrário. Estou reconhecido pelo bem que fez à Madeira, pela Autonomia, pelas estradas, pelos túneis, pelos centros de saúde e pelas escolas (já ia dizer também pelo novo hospital, mas...). Mas com tudo isso, acho que já fez demais. Que está na hora de ir descansar, de dar o lugar a outros, aos que vão ter de pagar pelas extravagâncias que vem anunciando nos últimos tempos. Uma pequeno susto eleitoral seria uma forma de mostrar que que há mais vida para além das inaugurações, umas importantes outras absolutamente ridículas. Seria uma forma de mostrar que os mais velhos não têm de o ouvir só para fazer montra nos seus comícios eleitoralistas ou que os mais pobres têm direito a ajuda sem parecer esmola, como tem acontecido esta semana em Santana. Não há necessidade de descer tão baixo. Todos sabemos que o PSD volta a ganhar as eleições e que as pode ganhar honestamente. Não é preciso tanto truque, que só fica mal a quem poderia sair pela porta grande e que um dia vai sair agachado. Só um exemplo: ontem, a 'Pérola do Atlântico' ficou conhecida em todo o Mundo como a "Ilha Desonesta". Bonito serviço para deitar por terra a imagem da Região. Se há uma coisa que o presidente ainda não percebeu é que o seu regime acabou. Independentemente dos resultados que obtiver a 9 de Outubro, com maioria relativa ou absoluta, as coisas mudaram. Muito. E para pior. E, sinceramente, os madeirenses merecem muito melhor. E há, dentro do próprio PSD, gente bem melhor preparada para o que aí vem. O PSD-Madeira que ainda pensa sabe disso, o líder nacional do PSD disse isso ontem com as letras todas e acredito que até a Oposição regional também sabe disso. Uma revolução pacífica. Na Madeira?! Claro! Seja feita a sua vontade.