Avaliar é (devia ser) um acto de gestão e não um exercício de poder. Avalia-se para provocar uma acção e para ajudar a alcançar um objectivo. No desporto competimos, isto é avaliamo-nos em relação a um critério (o que éramos, os outros, etc.) A avaliação e os avaliadores nunca são neutros, isentos, imparciais, objectivos… O quadro de referência que utilizamos condiciona a forma como vemos o mundo, como valorizamos o que nos rodeia. Os instrumentos que usamos para avaliar, os critérios que seleccionamos, etc., não só influenciam os resultados que obtemos, como a interpretação que deles fazemos e as ilações que daí tiramos. Por isso a avaliação deve ter em conta os efeitos obtidos em relação aos efeitos pretendidos, considerando os meios investidos…e tantas outras coisas. É certo que muitos avaliam para "mandar", para "passar os amigos e chumbar os inimigos" (que linguagem para um avaliador!). Assim, é bom que antes de endeusarmos ou denegrirmos instituições e pessoas em função de rankings e classificações afins, nos questionemos sobre a competência dos avaliadores, a pertinência dos instrumentos e critérios utilizados, etc. Avaliar utilizando apenas os factores que "interessam" é fazer batota. A avaliação responsabiliza não apenas quem é avaliado mas também quem a faz, na correcção de um exame, na selecção de um desportista, etc. E responsabiliza também quem, de uma forma ignorante ou maldosa, tenta manipular os processos. Mas a avaliação, apesar de ainda ser muitas vezes utilizada de uma forma perversa, é um factor essencial para o desenvolvimento (quando bem feita, claro). Avaliar é uma parte importante na realização de um diagnóstico e permite-nos, deste modo, saber onde estamos ou até quem somos. Sem este conhecimento não é possível ter uma intencionalidade no "para onde queremos ir" ou no "que queremos ser". Evidentemente que a avaliação dos avaliadores é fundamental. Alguns acham que por terem "um canudo" ou "por acto divino" ganharam o direito (direito? Que parvoíce!) de avaliar. Chumbemo-los! As avaliações são ferramentas essenciais, mas não nos podemos esquecer que uma avaliação mal feita pode ser bem pior que não haver avaliação.
Hélder Lopes - Professor da UMa