O Verão está praticamente no fim e, consequentemente, também estão no fim os arraiais e as festas de paróquia. Sim, porque sou dos que consideram que há diferença entre arraial e festa. Estão no fim as férias grandes para dos estudantes. É o fim das idas à praia e de outras actividades típicas desta época do ano, normalmente de maior relaxamento para a grande maioria das pessoas. É, por isso, tempo de regresso ao trabalho para quem esteve de férias e de regresso às aulas para os estudantes. Estamos também na época de colher e guardar os últimos produtos da terra. Apanhar as uvas e fazer o vinho, desfolhar o milho e esbulhar o feijão. É, agora, tempo de guardar, não só para consumo no Inverno, mas também para a sementeira do próximo ano. Esta azáfama trouxe-me à memória uma expressão popular que é utilizada quando se encontram várias pessoas, depois de algum tempo de conversa, alguém decide que tem de deixar o grupo e ir fazer alguma "volta", por exemplo, o almoço, jantar ou outra coisa qualquer. Então, como querendo dizer que conversa não enche barriga ou que com conversa não se produz nada, utilizava a expressão "vou mas é cuidar de vida". Ou seja, vai fazer algo de mais útil, alguma "volta" (tarefa) que ficou por fazer . Nada mais apropriado para a época em que estamos. Não só por estarmos no final do Verão como referi, depois de tanta música e conversa nas muitas festas e arraiais que se realizaram por todo o lado, mas também pela muita conversa e muita tinta derramada, acerca de determinados temas da vida económica, financeira e social, que muitas vezes não passa disso mesmo, de conversa. Agora é tempo de irmos todos "mas é cuidar de vida".
Joel Freitas - Presidente da ACIN