O Governo Regional do PSD mandou uma carta ao Governo da República (PSD-CDS) a anunciar que tinha falido a Madeira e agora precisava de ajuda externa. Assim, sem mais nem menos. Através de uma carta, com dois ou três parágrafos, quase inócuos e mesmo estonteantemente curtos e ofensivamente serenos. Alberto João Jardim rompe o barulho da pré-campanha para, sorrateiramente, exigir uma ajuda externa. Fá-lo sem mais explicações. Às escondidas, pelas costas dos madeirenses e procurando a cumplicidade do PSD e do CDS para manter tudo escondido. Um silêncio que durou até os técnicos da troika exigirem a divulgação de um buraco de 500 milhões de euros. Uma derrapagem que já existia mas que estava escondida, como tantos outros défices que, todos os anos, fazem a história do enorme endividamento da RAM. Mas o Governo do PSD Madeira não pediu dinheiro para acudir os madeirenses, para pagar as dividas às empresas, para preparar um pacote de estímulos à economia, para socorrer o "exercito de pobres e desempregados". Nada disso. O Governo Regional, pura e simplesmente, já não paga aos bancos. Está em completo incumprimento e precisa de alguém que lhe empreste dinheiro para pagar outras dividas (o incumprimento bancário) e voltar a contar com o sistema financeiro local. Trata-se de um resgate de sobrevivência onde os madeirenses são a moeda de troca: vem o dinheiro (um empréstimo) levem os sacrifícios do povo. Enquanto isso, a sua campanha eleitoral roça a provocação: num clima de ostentação e provocação gratuita Jardim, esconde a realidade e oculta o futuro. Ou seja, exige os votos dos madeirenses em troca do passado. Um passado doentio que a história revelará o seu verdadeiro horror. O povo que decida em Outubro mas depois não digam que não avisei...

Carlos Pereira - Deputado do PS-Madeira